domingo, 5 de julho de 2015

O verão sem férias

Encontrei mais uma alma que, como eu, não vai de férias de verão. E apeteceu-me logo dar-lhe um abraço solidário, que se há altura em que precisamos de um abraço é quando começamos a ver fotografias das férias dos outros no Instagram e Facebook e um sem fim de redes sociais que só existem para pôr ainda mais o dedo na ferida de quem fica a trabalhar Junho, Julho e Agosto. Felizmente que o calor por aqui decidiu dar tréguas (hoje), e por isso vou fingir que não me chateiam as trovoadas que se fazem sentir no verão (já na Holanda era o mesmo filme, se bem que só mais lá para Agosto), se calhar moro num país tropical e não sabia...
E se eu achava que estava muito bem assim sem férias e sem a certeza de poder descansar à sombra de uma qualquer palmeira em Setembro (e estou, não me faz muita diferença, só é chato começar a ver as fotos de pés alheios na piscina), a verdade é que eu sofro de um mal incurável... preciso de ter planos de viagem! Vários! E é por isso que nos meus momentos de procrastinação dou por mim a abrir o Google Maps e a pensar onde vou a seguir. E começo a pesquisar ideias de férias e já sonho com um Dezembro com o pé na areia. Já li imensos fóruns acerca de Jerusalém, já comprei o guia (obviamente) e mais um bocadinho já posso eu própria ser guia (ok, menos). Já comecei a pensar que é em 2016 que quero MESMO ir à Jordânia. E comecei a ter uma ideia louca de ir finalmente ao Nepal e ao Tibete (a primeira viagem de destinos "exóticos" que me lembro de querer fazer). Isto é doença, parece-me.

terça-feira, 30 de junho de 2015

E agora este momento histórico


Vai ser o fim do mundo em cuecas.

Ah, que fixe, moraste na Holanda

É talvez por causa desta reacção que acho que depois aparece aquela mistura de desilusão com incredulidade quando digo que não gosto por aí além de Amesterdão. Mas como não? Aquilo é que é vida, super descontraídos, e o ambiente, e coiso e tal. É porque não sabes onde te divertir (adorei especialmente esta). Desculpem qualquer coisinha, está bom? Acho que já disse aqui que Amesterdão não foi a primeira cidade que conheci na Holanda. E depois do impacto dos canais e das bicicletas o país começa a ficar muito mais do mesmo. Sim, cada cidade tem a sua identidade mas começam a ser variações do mesmo conceito. E Amesterdão está cheio de turistas que querem ficar bêbados e visitar todas as coffeeshops e sexshops da cidade, como se houvesse um passaporte para carimbar em cada uma delas. Not my cup of tea. Claro, é uma cidade engraçada mas não é a minha preferida, peço desculpa pela heresia. (Gosto mais de Den Haag para cidade 'a sério' e Leiden para cidade 'de bonecas' - uma para cada tamanho). Mas para a próxima digo que sim, gosto muito de Amesterdão. There, muito mais simples.

sábado, 27 de junho de 2015

Uma casa de tijolo

A primeira vez que vim a Inglaterra devia ter os meus 11 ou 12 anos e desde então poucos foram os anos em que falhei uma visita à ilha. Sempre achei que podia ser daqui e a minha mudança veio confirmar isso mesmo. Com isto não quero dizer que este seja o país perfeito (longe, muito longe disso!) mas depois de ter estado 2 anos na Holanda atravessar o canal deu-me a sensação de estar finalmente em casa e isso tem que significar alguma coisa. Talvez a língua ajude bastante neste sentimento de pertença, não digo que não, mas eu acho que é mais, muito mais do que isso. É este jeito de gostar do humor britânico e até daquela altivez de antigo império, que se carrega como quem leva sempre um relógio de bolso e um chapéu alto invisível mesmo que se ande de chinelos e calções. É a small talk no supermercado, nos correios, na paragem de autocarro, com simpatia mas sem perder o sentido muito particular do que é ou deixa de ser "próprio". É o senhor que vende revistas e que me pergunta sempre como estou e deseja um bom dia quando passo, mesmo que nunca lhe tenha comprado qualquer coisa. São os charity events e as vendas de bolos na biblioteca do bairro, as corridas no parque ao sábado de manhã e o sem número de eventos organizados por voluntários, que se há coisa que abunda por aqui é o espírito comunitário. São os torneios de futebol e cricket no relvado do colégio e os miúdos de uniforme à saída da escola primária mais querida de sempre. É a obsessão com a família real e as roupas da Kate ou a última fotografia do George. São os pubs e os pub quizzes, as sausages and mash, as salt and vinegar chips, a shepard's pie, as jacket potatoes ou o Sunday roast. É o Natal começar em Outubro. São os constantes weather reports no facebook da BBC (com piadas!). É este jeito de viver a vida, tão próprio, tão difícil de descrever, que me faz sentir em casa a caminho dos 2 anos de estadia nesta ilha junto à Europa. 
Perguntam-me muitas vezes se os ingleses não são desagradáveis para os estrangeiros que cá moram mas a verdade é que não tenho nada a apontar, sempre fui bem recebida em todo o lado, desde a aldeia mais pequena até à capital. Mas não digo que não ajude conseguir passar por "um deles" até à hora de dizer o meu apelido ou mostrar o meu passaporte. É possível que o sotaque britânico e a pele branca ajudem nesta minha imagem positiva do país, assim como a minha profissão, não digo que não. Não vejam este relato como a descrição do país perfeito, que não o é.

Hoje dei por mim a pensar como com 11 ou 12 anos o meu sonho era morar em Londres numa casa de tijolo com as janelas dispostas em jeito de semi-círculo. E em como tive quase sempre o privilégio de realizar até os sonhos mais parvos, como este. Porque hoje moro numa casa dessas. Não é em Londres, mas é em tijolo e tem as janelas em semi-círculo. É engraçado como as coisas mais simples podem significar tanto.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Nem preciso de calendário

Sabes que o verão chegou quando começam a aparecer os convites para um piquenique. E sabes que estás em Inglaterra quando todos eles vêm com um "weather permitting" e até uma fotografia da previsão do tempo para os próximos dias. Se há coisa que se perde quando se emigra mais para Norte é a garantia quase inabalável que o final de Junho, Julho e Agosto são meses onde há sol todos os dias e a chuva é uma excepção infeliz. Apesar de tudo, os mínimos para o barbecue weather são uns furos acima da Holanda: se lá bastavam uns 10 graus com um céu esbranquiçado mas sem ameaçar chuva, aqui pelo menos chegamos aos 20 e está sol. It's picnic time!

terça-feira, 23 de junho de 2015

Música (lição?) do dia


I'd rather stand tall
Than live on my knees
Cause I am a conqueror
And I won't accept defeat
Try tellin' me no
One thing about me

Is I am a conqueror

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Coisas que eu gosto e não encontro por cá

Delícias do mar. E iogurtes líquidos. Eu sei que o verão aqui é fraco mas esta gente teve infâncias muito tristes sem saladas de delícias do mar nem iogurtes líquidos de ananás na lancheira.

Leitores do UK (anyone?): vocês contem-me tudo se eu andar a passar ao lado disto!