terça-feira, 30 de junho de 2015
Ah, que fixe, moraste na Holanda
É talvez por causa desta reacção que acho que depois aparece aquela mistura de desilusão com incredulidade quando digo que não gosto por aí além de Amesterdão. Mas como não? Aquilo é que é vida, super descontraídos, e o ambiente, e coiso e tal. É porque não sabes onde te divertir (adorei especialmente esta). Desculpem qualquer coisinha, está bom? Acho que já disse aqui que Amesterdão não foi a primeira cidade que conheci na Holanda. E depois do impacto dos canais e das bicicletas o país começa a ficar muito mais do mesmo. Sim, cada cidade tem a sua identidade mas começam a ser variações do mesmo conceito. E Amesterdão está cheio de turistas que querem ficar bêbados e visitar todas as coffeeshops e sexshops da cidade, como se houvesse um passaporte para carimbar em cada uma delas. Not my cup of tea. Claro, é uma cidade engraçada mas não é a minha preferida, peço desculpa pela heresia. (Gosto mais de Den Haag para cidade 'a sério' e Leiden para cidade 'de bonecas' - uma para cada tamanho). Mas para a próxima digo que sim, gosto muito de Amesterdão. There, muito mais simples.
sábado, 27 de junho de 2015
Uma casa de tijolo
A primeira vez que vim a Inglaterra devia ter os meus 11 ou 12 anos e desde então poucos foram os anos em que falhei uma visita à ilha. Sempre achei que podia ser daqui e a minha mudança veio confirmar isso mesmo. Com isto não quero dizer que este seja o país perfeito (longe, muito longe disso!) mas depois de ter estado 2 anos na Holanda atravessar o canal deu-me a sensação de estar finalmente em casa e isso tem que significar alguma coisa. Talvez a língua ajude bastante neste sentimento de pertença, não digo que não, mas eu acho que é mais, muito mais do que isso. É este jeito de gostar do humor britânico e até daquela altivez de antigo império, que se carrega como quem leva sempre um relógio de bolso e um chapéu alto invisível mesmo que se ande de chinelos e calções. É a small talk no supermercado, nos correios, na paragem de autocarro, com simpatia mas sem perder o sentido muito particular do que é ou deixa de ser "próprio". É o senhor que vende revistas e que me pergunta sempre como estou e deseja um bom dia quando passo, mesmo que nunca lhe tenha comprado qualquer coisa. São os charity events e as vendas de bolos na biblioteca do bairro, as corridas no parque ao sábado de manhã e o sem número de eventos organizados por voluntários, que se há coisa que abunda por aqui é o espírito comunitário. São os torneios de futebol e cricket no relvado do colégio e os miúdos de uniforme à saída da escola primária mais querida de sempre. É a obsessão com a família real e as roupas da Kate ou a última fotografia do George. São os pubs e os pub quizzes, as sausages and mash, as salt and vinegar chips, a shepard's pie, as jacket potatoes ou o Sunday roast. É o Natal começar em Outubro. São os constantes weather reports no facebook da BBC (com piadas!). É este jeito de viver a vida, tão próprio, tão difícil de descrever, que me faz sentir em casa a caminho dos 2 anos de estadia nesta ilha junto à Europa.
Perguntam-me muitas vezes se os ingleses não são desagradáveis para os estrangeiros que cá moram mas a verdade é que não tenho nada a apontar, sempre fui bem recebida em todo o lado, desde a aldeia mais pequena até à capital. Mas não digo que não ajude conseguir passar por "um deles" até à hora de dizer o meu apelido ou mostrar o meu passaporte. É possível que o sotaque britânico e a pele branca ajudem nesta minha imagem positiva do país, assim como a minha profissão, não digo que não. Não vejam este relato como a descrição do país perfeito, que não o é.
Hoje dei por mim a pensar como com 11 ou 12 anos o meu sonho era morar em Londres numa casa de tijolo com as janelas dispostas em jeito de semi-círculo. E em como tive quase sempre o privilégio de realizar até os sonhos mais parvos, como este. Porque hoje moro numa casa dessas. Não é em Londres, mas é em tijolo e tem as janelas em semi-círculo. É engraçado como as coisas mais simples podem significar tanto.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Nem preciso de calendário
Sabes que o verão chegou quando começam a aparecer os convites para um piquenique. E sabes que estás em Inglaterra quando todos eles vêm com um "weather permitting" e até uma fotografia da previsão do tempo para os próximos dias. Se há coisa que se perde quando se emigra mais para Norte é a garantia quase inabalável que o final de Junho, Julho e Agosto são meses onde há sol todos os dias e a chuva é uma excepção infeliz. Apesar de tudo, os mínimos para o barbecue weather são uns furos acima da Holanda: se lá bastavam uns 10 graus com um céu esbranquiçado mas sem ameaçar chuva, aqui pelo menos chegamos aos 20 e está sol. It's picnic time!
terça-feira, 23 de junho de 2015
Música (lição?) do dia
I'd rather
stand tall
Than live
on my knees
Cause I am
a conqueror
And I won't
accept defeat
Try tellin'
me no
One thing
about me
Is I am a
conqueror
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Coisas que eu gosto e não encontro por cá
Delícias do mar. E iogurtes líquidos. Eu sei que o verão aqui é fraco mas esta gente teve infâncias muito tristes sem saladas de delícias do mar nem iogurtes líquidos de ananás na lancheira.
Leitores do UK (anyone?): vocês contem-me tudo se eu andar a passar ao lado disto!
Leitores do UK (anyone?): vocês contem-me tudo se eu andar a passar ao lado disto!
domingo, 21 de junho de 2015
Em repeat
Never fear, no never fear
So let your heart hold fast
So let your heart hold fast
For this soon shall pass
There's another hill ahead
(e sempre um bocadinho chateada pelo fim do How I met your mother...)
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