segunda-feira, 6 de abril de 2015

Páscoa em Budapeste

Acho que tenho um problema: toda a Europa começa a parecer-se-me um grande e único país, especialmente ali ao centro. Tinham-me dito tão bem de Budapeste que eu esperava uma cidade linda, qualquer coisa entre a cidade encantada e o cenário de um filme, mas afinal é um bocadinho mais do mesmo. É uma mistura de Praga com Berlim, e mais uma cidade desse país que é a Europa Central. Sim, é um destino engraçado, excelente para passar um fim de semana prolongado, que se faz muito bem a pé e onde se tiram boas fotografias, mas não me trouxe o "uau" de que estava à espera. Tem recantos lindos e zonas decadentes logo a seguir, nota-se a herança gloriosa do império Austro-Húngaro, mas achei que as cicatrizes das guerras ainda se fazem sentir. Tem o seu encanto junto ao rio mas o charme de Lisboa põe a cidade a um canto (aliás, tenho chegado à conclusão que quanto mais viajo mais gosto da minha cidade). Desculpa, Budapeste, it's not you, it's me.


Recomendo vivamente a visita ao Parlamento e sugiro que comprem os bilhetes online para evitarem as filas (comprando online, é só imprimir, nem sequer é preciso ir levantá-los na bilheteira). O edifício é lindo por fora e por dentro, e apesar de a visita ser relativamente curta vale imenso a pena!




A Igreja de Santo Estêvão é linda. A entrada não é paga, mas é sugerida uma doação para entrar.





A icónica Chain Bridge, paragem (e travessia!) obrigatória.



O Bastião do Pescador é pago se quiserem percorrer a muralha completa. Nós pagámos no espírito de "não voltamos cá, why not?" mas se quiserem evitar essa despesa extra podem ir um bocadinho mais à frente para uma vista semelhante.

 



Gostei ainda de visitar o Mercado e deu um excelente abrigo para a chuva/neve com que Budapeste me brindou no primeiro dia!




Junto à Praça dos Heróis encontrámos um mercado com comida e produtos tradicionais, cheio de turistas e locais e que contrastava com o sossego das ruas no Domingo de Páscoa.




Umas últimas notas para dizer que

a) cidade se faz bem a pé e não fiquei propriamente no centro (estava junto à Casa do Terror, antigo edifício das SS), pelo que acreditem que o uso de transportes públicos é perfeitamente dispensável.

b) recomendo o Café Pierrot, no bairro do Castelo. Comida excelente e empregados super simpáticos, se quiserem descansar do turismo e comer num ambiente sossegado, fica a dica!


Agora é tempo de planear a próxima viagem!

quinta-feira, 26 de março de 2015

Leitura de cabeceira

Isto é absolutamente fantástico.

Não só é de um humor incrível como ainda reúne algumas regras interessantes de gramática e vocabulário. Recomendadíssimo a todos aqueles que querem saber um pouco mais de Inglês e rir-se com as piadas so very British da autora.



quarta-feira, 25 de março de 2015

Not meant to be

It was just not meant to be, e não faz mal. Talvez tudo tenha mesmo o propósito de nos ensinar qualquer coisa, de nos tornar melhores, ou talvez isso seja só uma conversa que inventámos para nos sentirmos melhor. Mas a verdade é que, de uma forma muito estranha, me sinto livre. Se tudo me tivesse corrido como planeei, talvez eu não estivesse aqui e uma parte de mim tivesse ficado por cumprir. Talvez fosse simpático não ter sido preciso amputar a alma, ou talvez isto funcione como a fénix e tenha mesmo de arder para renascer. Acho (e tenho quase medo de o dizer) que me curei do "podia ter sido". It was not meant to be. E percebi, com surpresa, que ainda bem que não foi.

terça-feira, 24 de março de 2015

segunda-feira, 23 de março de 2015

Os pais new age

Estou cansada dos pais new age. Os mesmos que acham que as vacinas são uma invenção do demo e que só infectam as criancinhas para satisfazer os interesses de multinacionais. Porque o meu filho nunca levou uma vacina e nem uma constipação teve, já o filho da vizinha, é o que se vê, é só febres e tosses, uma desgraça. Mais do que cansada, estou estupefacta e assustada por haver doenças que estão a regressar em força. Tanto que já tinha sido conseguido e agora vimos dizer que isto da ciência e dos estudos é tudo uma máfia, tudo para enganar as massas. Fico doente dos nervos com estas coisas. É pena não haver vacinas contra a estupidez.

domingo, 22 de março de 2015

Bolo de memórias

A minha bisavó paterna foi governanta numa casa senhorial durante a juventude. Lembro-me de ser pequena e achar super exótico, quase ao nível de uma qualquer história de encantar que ela me contava todas as tardes. A minha bisavó foi a minha inseparável companheira de brincadeiras até eu entrar na escola primária e, apesar da idade, deitava-se no chão e fazia comigo a ginástica que passava na Rua Sésamo. Tinha a paciência que ninguém tinha para criar grandes comboios de cadeiras cor de rosa que ocupavam todo o corredor de casa e onde depois sentávamos os bonecos. E desmanchar tudo a seguir, para brincarmos a outra coisa qualquer. Porque a minha bisavó sabia brincar a sério e não como um adulto que está só a entreter uma criança. A minha bisavó foi a minha verdadeira avó de entre as avós. Sim, a minha avó fazia as melhores batatas fritas do mundo (mesmo) e tricotava-me as camisolas de lã mas a minha bisavó é que tinha tempo, é que me fazia as vontades e que me dava sempre mais uma bolacha Maria e que fez pacientemente o vestido da minha primeira comunhão, perfeito no corte e na costura (coisa que eu quero muito encontrar e, quem sabe, guardar para uma filha minha). Quando eu era pequena, a minha avó paterna ainda trabalhava, pelo que "ir para casa da avó" durante a semana significava passar o dia com a minha bisavó e a empregada, que me deixavam sempre lamber as colheres e as taças dos bolos e com quem eu fazia rissóis, empoleirada em cima de um banco (não digam à minha mãe). Lembro-me de ver a Filipa Vacondeus na televisão, enquanto a tábua de passar era a minha casinha de brincar, com os lençóis a fazer de paredes. E o sótão era um sítio de difícil acesso mas pelo qual eu tinha um fascínio inexplicável, com todas as caixas e recordações que por lá se acumulavam.
Hoje lembrei-me da minha bisavó enquanto fazia um bolo. Apesar de já não ter de pedir autorização a ninguém, sinto sempre que estou a cometer um pequeno delito quando lambo a colher, um delito que me era consentido naquelas tardes em casa da minha avó. Perdi a minha bisavó com os meus 8 ou 9 anos e tenho pena que ela tenha faltado a tantos momentos da minha vida. Tenho a certeza que teria o maior orgulho na pessoa que me tornei e um sem fim de histórias que nunca me chegou a contar. Para além disso, eu gostava muito que ela provasse o meu bolo de chocolate.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Emigrantes do meu país

Atentem no que vos digo: nunca assumam que ninguém vos entende só porque estão no estrangeiro e que por isso podem ter as conversas que quiserem ao telemóvel. É que há sempre um português à vossa volta, sempre. Especialmente quando não o esperam!