Acordei às 5 da manhã e apanhei o comboio às 6. Gosto de partilhar a carruagem com as várias pessoas de fato que escrevem furiosamente nos seus computadores enquanto bebem o seu café do Costa e espreitam as gordas do jornal. Gosto de chegar a Londres com o sol do início da manhã, quando a cidade começa a acordar para mais um dia. Fico contente por chegar antes da multidão e ter um lugar para me sentar no metro, observar as pessoas, ver que livros lêem, que notícias chamaram a sua atenção no jornal. Adoro manhãs, adoro mesmo! Não tenho paciência para me encostar à direita e subo as escadas rolantes até sair do metro, sento-me no primeiro banco que encontro e troco as sabrinas pelos saltos, bebo o café da praxe. Quando aqui não venho acho sempre que podia mudar de país, podia ir para França (mas há lá tantos franceses, valha-me deus), podia ir para a Alemanha, que durante tanto tempo foi a minha primeira ideia enquanto tirava o curso, podia viver em quase todo o lado, que uma alma nómada como eu é mesmo assim. Mas depois chego a Londres (e à minha casa de sempre, Oxford) e penso, caramba, eu gosto mesmo desta ilha. Gosto do sotaque, que tenho sempre vergonha de fazer em Portugal ou com amigos estrangeiros porque parece que nos estamos a armar aos cucos mas que aqui me sai naturalmente. Gosto das piadas que perfeitos desconhecidos fazem nos transportes (embora não tão comum em Londres, onde ninguém fala com ninguém). Gosto das livrarias, das casas de tijolo avermelhado, do "hi, are you alright?", dos pubs, das salt and vinegar crisps, de como os britânicos conseguem ser ao mesmo tempo "put together" e acessíveis. Gosto de como aqui me sinto em casa, coisa que nunca senti na Holanda. Talvez seja uma química qualquer que sentimos pelos sítios, tal como sentimos pelas pessoas. E por isso, desta vez, antes de entrar novamente no metro e vir para casa, abrandei o passo na London Bridge. E dei por mim a pensar que não sei se vou ficar feliz a ter de me ir embora em Setembro, que gostava mesmo de encontrar um trabalho interessante na capital (mandar às urtigas os sonhos de carreira na área A, B ou C, que, guess what, não passam por esta cidade), conseguir pagar o preço exorbitante que aqui pedem por um mísero T1 e mudar-me de armas e bagagens para a melhor capital de sempre. O meu eu de 12 anos ia delirar este com este plano (e eu também!). E podem vir os meus amigos dizer "ah mas por que raio queres tu viver em Londres? blablabla qualidade de vida é aqui a norte blabla muito caro blablabla". Cansei de explicar.
quinta-feira, 12 de março de 2015
segunda-feira, 9 de março de 2015
Canterbury
Fui finalmente à mothership da Igreja de Inglaterra: Canterbury. Tive a sorte de estar um dia lindo e apanhar um ensaio do órgão da catedral, o que tornou a visita ainda mais especial. A catedral é lindíssima e imponente, tem até vários andares (!) e o recinto conta com diversas casas e relvados, o que lhe dá uma atmosfera única. Recomendo a quem queira conhecer mais do que a capital, embora não seja a minha primeira sugestão de must see a quem tem menos tempo (mas claro que depende um bocado dos gostos e das preferências de cada um, até porque há mais museus para além da catedral). De comboio é apenas 1h30 desde London Euston e o preço, admitindo que comprava um bilhete para a próxima semana, fica por volta das 45 libras (ida e volta).
Vamos às fotos.
Nota: O comboio é um bom meio de transporte aqui pela ilha, mas vejam com atenção o site do National Rail porque quando os destinos começam a ser longe os bilhetes advance permitem um desconto simpático, embora só permitam viajar no comboio e hora marcados.
quinta-feira, 5 de março de 2015
Sim, eu ainda vejo
Have we
used up all our happy? Are you ever afraid of that? That this is all there is
now? It’s like I had a certain amount of
happy that was supposed to last my whole life and I’ve used it all up. Do you
think that is true? (Grey's Anatomy)
terça-feira, 3 de março de 2015
segunda-feira, 2 de março de 2015
Foi bonita a festa
Quase que soltei uma lagriminha quando a noiva entrou e depois quando lhes dei os parabéns, não consegui respirar bem durante o discurso, tremi a mão durante o brinde e nem me lembro se olhei para onde devia, acho que vou pedir um do-over. Mas o afilhado gostou e isso é que importa. Foi bonita a festa. Agora aguardo ansiosamente a foto "class of 2005" que tirámos por gozo na photo booth com a ajuda de acessórios foleiros. Não cheguei a ter nenhuma foto de curso oficial, mas esta é perfeita, mesmo que tenha apenas duas pessoas com chapéus duvidosos e a fazer caretas. Afinal, tem tudo aquilo que ficou de verdadeiramente importante.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Outra vez a caminho
Não sei como explicar a minha imensa alegria sempre que faço as malas para voltar a Lisboa. Não é um ter saudades no sentido dramático ou nostálgico do termo, mas é tão bom pensar que amanhã vou jantar em casa e vai haver bacalhau a sério e notícias em português como ruído de fundo. E vou ter o pão que gosto para o pequeno almoço e um café à beira-rio e amêijoas só porque sim. É por isso que começo a fazer a mala com antecedência, porque me dá imenso prazer saborear o regresso a casa, aos bocadinhos, hoje uma camisola, amanhã um livro para ler na viagem, passo a passo. Desta vez, só há mala de cabine e algumas dores de cabeça para enfiar tudo NUM saco (obrigada, easyjet), logo eu que adoro ter a carteira separada do resto, mas tetris is my life por isso cá me irei arranjar. Tenho o discurso apenas semi preparado, que isto de ser best man em versão feminina é mais complicado do que parece, e espero que a viagem de avião me inspire para aterrar em Lisboa com um rascunho aceitável. O vestido já está pendurado à minha espera e tenho uma semana para encontrar uma clutch (olhem para mim a usar termos técnicos!) e um casaco. E gostava muito, muito mesmo, de encontrar um "chapéu" deste género, mas não tenho grande esperança.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
5 km com 5 graus
Levantei finalmente o rabo do sofá (neste caso da cadeira do escritório, que sofá é coisa onde não me sento há algum tempo) e fui "correr" (na verdade, mais andar, daí as aspas) ao parque que há ao fundo da rua. Sol e 5 graus pareceram-me uma combinação perfeita para calçar os ténis e estrear o casaco de corrida que comprei para me motivar (e aquecer) e assim que passo o portão não deixo de ficar surpreendida com a quantidade de pessoas que lá estavam! O parque infantil estava cheio, imensos cães atrás de bolas na zona de relva, vários corredores na zona alcatroada, imensos carrinhos de bebé e até pessoas a ler nos bancos. O que não faz um dia de sol nesta terra! Mesmo que o feels like estivesse ali a rondar os 3 graus, o dia estava lindo e a temperatura não impediu que as pessoas aproveitassem o imenso manto verde que que a cidade tem para oferecer (são 48 hectares de parque!). E há imensos recantos, com pequenos jardins mais resguardados, pequenos lagos, mesas de piquenique, parque para bicicletas e skates, o óbvio parque infantil, um café... tudo mais ou menos plano e com a sensação de área "aberta", o que o distingue do Estádio Universitário, o meu spot em Lisboa. Já tinha ido ao parque mas só ontem o olhei mesmo a sério e senti uma paz imensa enquanto lutava para chegar ao fim dos 5 quilómetros. (Hoje dói-me tudo).
Não quis fotografar zonas onde estivessem pessoas, que eles são muito coisinhos com isso (especialmente se eu desatasse a fotografar a zona infantil, que estava à pinha!), mas aqui fica um cheirinho do meu novo spot.
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