quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Vícios

O meu vício é viajar. Se há uns tempos quando não bebia café me doía a cabeça, agora a minha dependência são as viagens. Quando não tenho nenhuma marcada começo a ficar inquieta, passo horas no google maps a escolher um destino, comparo preços de voos, de hotéis, é a minha droga. E se bem que este ano não vou ter muito tempo para férias até Setembro, gostava muito de fazer uns fins de semana prologados algures na Europa. A minha hesitação agora é o plano para a Páscoa: Budapeste ou Nice e Monte Carlo (vocês não sabem, mas eu adorava princesas - vamos fingir que eu não sei demasiados factos acerca das famílias reais por este continente fora- quando era mais nova , como poderia deixar de ir ao Mónaco?). E já ando com um olho na Grécia para Setembro, vamos lá ver.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Charlie

Sinto calafrios quando alguém diz "eles é que os provocaram". Quando defendem que não se brinca com a religião A, B ou C, ou com qualquer outro tema que alguém considere ofensivo. "A minha liberdade termina quando começa a do outro", e é verdade, mas um cartoon não é uma notícia, não é uma verdade, é apenas e só uma sátira. E isto é válido para muçulmanos, para políticos, e até para mim, se eu fosse uma pessoa conhecida e um possível alvo de um jornal humorístico. Se os desenhos têm piada, se são provocadores, se iria alguma vez comprar ou não ou jornal, isso pouco importa. O que para mim importa é que os humoristas possam trabalhar e desafiar a sociedade sem receio de que as susceptibilidades feridas os tornem em vítimas de qualquer atentado. Por isso, quando me falam que há limites e que há coisas com que não se brinca, eu não consigo deixar de pensar no meu bisavô, um homem que fez das palavras a sua arma e que foi várias vezes preso porque havia alguém que também achava que havia limites para o que se escrevia. Não há sátira política e social que seja politicamente correcta e, quando se começar a limitar o que é dito, surge a questão: qual é a fronteira? Imponho a minha visão do mundo aos outros e proíbo-os de satirizar o que eu acho ofensivo? Ora os limites, esses, deveriam ser os valores de cada um, nunca o medo, nunca a censura.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A avó que há em mim

Convidaram-me para uma festa numa discoteca e nesse preciso momento eu senti-me velha. É que a primeira coisa que pensei foi "ainda se fosse um jantar sossegado com um bom vinho". Mas não, é uma noite num sítio onde não se consegue ter uma conversa e onde pululam miúdas de 18 anos com menos roupa do que seria desejável para Janeiro (ou para qualquer mês). Fogo, sou uma cota, reconheço. Longe vão os tempos onde ia religiosamente, de 15 em 15 dias, dançar até às 3h da manhã. Agora, eu queria mesmo era um jantar num bom restaurante ou uma ida a um bar simpático, com música em volume tolerável e sem miúdos aos saltos. Estou cota, mas vou à festa, é uma mistura entre experiência antropológica e simpatia pelo aniversariante.

sábado, 3 de janeiro de 2015

O nó de sempre

A viagem que me custa mais é o regresso a casa fora de casa depois do Natal. Custa deixar Lisboa em Janeiro e por isso nunca escolho um lugar à janela quando me vou embora (ao contrário do voo antes do Natal onde adoro vir colada ao vidro e desfrutar da aterragem - há lá sítio mais bonito de aterrar do que em Lisboa?). Racionalmente, sei que não queria ficar, tenho os meus projectos lá fora e por mais bonita que seja a luz da minha cidade não é aqui que moram os meus sonhos. Aliás, tenho sentido a cidade mais pequena a cada viagem de regresso, como se houvesse cada vez menos para mim (acho que isto não faz muito sentido, assim escrito). Mas deixo sempre um bocado de mim quando me vou embora, e em Janeiro forma-se um buraco ainda maior no meu peito (só não choro no aeroporto porque sei como isso iria custar a quem me dá boleia). Este ano, em particular, nem tenho razões para estar assim (volto já em Fevereiro!) mas mesmo assim o nó no estômago está cá desde a semana anterior à minha partida. Sobretudo, custa-me fazer a viagem de regresso sozinha. Mesmo tendo a minha vida à espera na ilha, é quase como se partisse para o exílio. Mas isto logo passa, logo logo é segunda-feira e a vida está de volta ao normal.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Ainda só vamos em 2 dias do novo ano e eu já fui comer as melhores amêijoas à Bulhão Pato, apanhei sol e aproveitei os 16 graus com que 2015 me brindou neste rectângulo à beira-mar. Guardei na memória o azul mais bonito que se vê da minha janela (já disse que não há mais nenhum azul assim?), ri-me até me doer a barriga, adiantei um relatório e fiz a mala com todos os bocadinhos de Portugal que vou levar comigo. Este vai ser um bom ano, I can feel it.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Adeus, 2014

Eu ia escrever que 2014 foi um ano mau, mas isso seria injusto para os dias bons que fui tendo. Em 2014 cheguei a ter uma agenda em branco e, pessoa com plano A e B e C, vi-me um dia sem qualquer letra do alfabeto. Mas 2014 ensinou-me muito sobre mim, estou a descobrir-me de novo, a saber quem sou. Sobretudo, este ano que agora termina trouxe-me pessoas espectaculares e não posso esquecer o privilégio que é ter amigos como eu tenho. Fiz o meu próprio Eat, Pray, Love e fui finalmente a Praga, conheci Istambul e mergulhei no Natal em Munique e Salzburg. Reapaixonei-me por Lisboa, voltei ao Alentejo da minha infância e apanhei um comboio até à adolescência. Foi um ano longo. E curto. Se é que isso faz sentido. Mas teve seguramente várias vidas.
De 2015, quero finalmente a vida para a qual comecei a trabalhar. Até vou fazer um excel com os desejos da meia-noite, daqueles que não se pedem com passas mas que só dependem de mim. E quero uma casa, ou um plano dela, um sítio onde saiba que vou ficar mais do que um Natal seguido.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Opá...

Descobri que há uma Agnes na casa dos segredos (eu sei, sempre actual o meu conhecimento). Estou seriamente deprimida com o meu nick neste momento.