Pois que primeiro foi a Pepa. A moça de sotaque afectado que queria uma mala Chanel e que foi crucificada em praça pública. Como já disse, não achei mal nenhum a rapariga querer uma mala. Seja fútil, seja o que for, era UM dos seus desejos, para este ano, para os próximos anos, não me interessa, o dinheiro é dela e, se pode, porque não? (um dos meus desejos também era viajar mais, peço desculpa se é uma coisa demasiado mundana, foi o que se pôde arranjar). Sim, a crise existe, bateu à porta de muita gente que conheço e ninguém sabe o que faço ou deixo de fazer para minimizar alguns dos seus efeitos, mas a hipocrisia que se instalou é coisa para me tirar do sério. Ninguém pode mostrar que ainda pode jantar fora (mesmo que seja só daquela vez, mas toda a gente vai reparar que se foi daquela vez), ir de férias a qualquer sítio ou comprar um vestido novo. Vejo isso nos blogues "devias ter vergonha de postar isso quando há muita gente que não pode", o que sinceramente não é argumento... Agora, a pérola de brincar aos pobrezinhos... Nem acho que seja de pessoas sem noção da realidade, acho que é mesmo falta de respeito. Por quem tem de trabalhar para viver e por quem tem de viver sem trabalhar. Como se tudo não passasse de uma brincadeira onde a qualquer hora podemos decidir trocar os papéis e pronto, assunto resolvido. Mas claro, se não fossem os pobrezinhos a quem é que se fazia caridadezinha no Natal para depois aparecer nas fotografias da Caras? Nojo, muito nojo.