sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Onde estavas a 20 de Janeiro de 2009?

20 de Janeiro de 2009 foi dia de exame e como em todos os exames que calhavam no horário das 17h (em vez das 'normais' 9 da manhã), mandava a (minha) tradição que houvesse torrada e meia de leite no bar de Civil. Na televisão passava a tomada de posse de Obama e não se falava de outra coisa a não ser do momento histórico a que estávamos a assistir. Tenho a nítida imagem da mesa onde estava, da televisão presa na parede e de pensar que gostava de recordar aquele momento para poder responder à pergunta "onde estavas a 20 de Janeiro de 2009?". Não sei se me vou lembrar onde estava a 20 de Janeiro de 2017 porque estava a trabalhar quando Trump prestou juramento como presidente dos Estados Unidos. Mas depois penso que esta frase que acabei de escrever faz tão pouco sentido que até posso não me lembrar de onde estava hoje mas certamente não me esquecerei da incredulidade perante o acontecimento (e shall I say do medo do que aí vem?). 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Viver no limite

É ir a Bruxelas a uma EU-cena como UK delegate.


Agora falando mais a sério, o Brexit não falha nas piadas durante os coffee breaks, nas perguntas dos amigos (como é que é viver aí agora? já sentiste a discriminação?) nem em todas as reuniões de sexta feira, quando aterra em cheio na pilha dos "problemas" numa mesa onde sou a única estrangeira. Há dias, como em EU-cenas, em que não pertenço verdadeiramente a nenhum lado desta barricada mas a verdade é que na maior parte das vezes me esqueço que estou aqui por empréstimo e visto com gosto a camisola do país como se fosse o meu (e não é?). Quem talvez não ache isso é a pessoa que um dia gritou em pleno centro de Oxford "se não forem ingleses, vão para casa", mas pronto, vai ter de viver com o facto de ser uma portuguesa a ir a Bruxelas para representar alguns dos interesses da ilha.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Último dia em Cracóvia - Auschwitz e Birkenau

O último dia completo em Cracóvia foi dedicado à visita de Auschwitz e Brikenau. Para rentabilizar o tempo decidimos recorrer a uma agência (Krakow Direct) e não temos razões de queixa: foram buscar-nos à hora marcada à porta do hotel e no final do dia trouxeram-nos de novo num mini bus com lotação máxima de 10 (?) pessoas. Durante a viagem de ida passam um pequeno documentário onde é possível ficar a conhecer um bocadinho mais da história (e do horror) dos campos, o que acaba por ser uma boa introdução e uma forma de aproveitar o percurso de carro (um pouco mais de 1hora).
À chegada a Auschwitz, o guia dá-nos autocolantes com o número do nosso autocarro e juntamo-nos a outros grupos para a visita guiada (cada pessoa recebe auscultadores, o que facilita bastante na hora de ouvir as explicações do guia). Preparem-se porque o campo está CHEIO de gente (e estava um frio do caraças, imagino no verão!): a fila para a segurança demorou uns 30 minutos, os grupos são demasiado grandes e o ritmo é bastante rápido (ou pelo menos eu achei). A minha primeira impressão do campo foi a de que era muito mais pequeno do que eu o imaginava depois de tantos filmes e documentários! Ouvimos histórias de pessoas com um nome e um rosto enquanto atravessamos celas solitárias, caves sem luz, corredores com imagens de prisioneiros, contentores de sapatos, roupas e cabelo (!) humano. Apesar de cheio, só se ouvem os passos das pessoas a andar nos corredores, na terra batida, nas pedras. É como se tudo fosse um constante murro no estômago e é por isso que apesar de ter tirado fotografias a cores (estava um dia lindo de sol!), decidi que ia ilustrar este post apenas com as minhas fotografias a preto e branco.


Depois de um intervalo de 15 minutos para almoço (aconselho a levarem o vosso almoço, as filas são intermináveis!), fomos para Birkenau, um campo cuja visita se faz totalmente ao ar livre e onde os edifícios não estão tão preservados. E se Auschwitz me pareceu mais pequeno do que imaginava, Birkenau esmaga pela dimensão, a um nível que eu não pensava encontrar. Para qualquer lado que se voltem só vêem ruínas de chaminés, a perder de vista. Aqui não havia auscultadores e nem sempre era fácil ouvir o guia, mas o simples passeio pelas ruínas do edifícios e a dimensão do campo faz a visita.

(For ever let this place be a cry of despair and a warning to Humanity, where the Nazis murdered about one and a half million men, women, and children mainly Jews from various countries of Europe. Auschwitz-Birkenau 1940-1945)

Foi um dia longo mas sem dúvida que a visita vale a pena. Como dizia o guia no final da visita a Auschwitz, toda a gente a deveria fazer uma vez na vida. Porque "quem desconhece a história está condenado a repeti-la".

domingo, 1 de janeiro de 2017