sábado, 7 de maio de 2016

O melhor e o pior da humanidade num dia de sol

Neste fim de semana de 4 dias o São Pedro não só nos tem dado tréguas como nos compensou com um tempo de autêntico verão, o que significa que todos os planos passam obrigatoriamente por aproveitar o sol e o calor. Foi assim que no início do fim de semana dei comigo no parque a ler um livro enquanto os meus amigos jogavam voleibol com o grupo habitual e que conta sobretudo com refugiados. Logo quando chegámos percebemos que a coisa não estaria pacífica: um alemão refilava com a organizadora (também ela alemã) que queria jogar e perguntava por que é que não havia lugar para alemães no jogo, juntando um chorrilho de disparates que eu tentava traduzir na minha cabeça ao mesmo tempo que só pensava "se isto é um país de acolhimento temos aqui tudo para correr bem". Devido ao nível de álcool no sangue (ou sangue no álcool) achei que a coisa poderia vir a descambar mas não, acalmou. Não antes de ele ter vindo ter connosco (oi?) e dizer que gostava muito de pessoas da Síria e de todas as partes (oook, parabéns para ti). Sentei-me com a minha toalha e o meu livro, li umas páginas e volta o rapaz (ou um dos do grupo dele, não percebi) com a bicicleta e vá de pedalar no meio do campo de voleibol onde se estava a jogar, em jeito de provocação. A coisa repetiu-se mas acho que ninguém fez ou disse ou disse nada (e sinceramente foi o mais sensato senão era bem capaz de ter dado para o torto). Apesar de tudo, foi uma coisa que me apertou o coração, confesso. O que me faz sentir melhor é que depois temos o outro lado da humanidade e, naquele dia, esse estava ali à minha frente a jogar voleibol.


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