terça-feira, 22 de março de 2016

Um ataque ao coração

O aeroporto é a minha segunda casa. É onde começam as viagens para casa, para a próxima reunião, para a apresentação do outro lado do mundo, para um fim de semana entre amigos, para um casamento ou a próxima festa de anos. É onde, quando olho para os quadros com as informações dos voos, ponho na minha lista imaginária todos os destinos que ainda me faltam conhecer. Onde consumo lattes enquanto despacho emails, dormito em cima de relatórios, vejo montras ou observo pessoas. E talvez porque o aeroporto seja a minha segunda casa e Bruxelas o escritório da Europa (ou pelo menos dessa Europa que é composta pelos meus amigos e por uma série de empresas com quem trabalho), que hoje me sinto um bocadinho vazia por dentro. Perguntaram-me "e não tens medo?"... não sei, acho que não. Temos de continuar a sair de casa e a viver, não é? Claro que é possível que olhe duas vezes à minha volta. Aliás, o metro faz-me cada vez mais confusão e claustrofobia mas não deixo de andar quando vou a Londres, por exemplo. Nem acho que vá passar a ter medo de voar. Ou andar de comboio. Ou de qualquer outro meio de transporte. Sobretudo, acho que não vou deixar de gostar de aeroportos. E se alguma vez sentirmos que só há coisas más por aí, os aeroportos têm as chegadas para nos provar o contrário.

3 comentários:

  1. Gosto muito deste filme e sobretudo da parte final. Que bom teres trazido até aqui. Não podia ser mais certeiro.
    Mas estou preocupada - não vejo a Europa preparada para lidar com este problema. Temos uma Europa envelhecida, com uma taxa de natalidade baixa, e sobretudo muito politicamente correcta ( cada vez que me lembro que cobriram as estátuas dos Museus Capitolinos em Itália, até me benzo), e sem uma política externa e de segurança comum devidamente estruturadas...

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    1. Também me preocupa bastante, não sei onde nem como isto vai acabar (se é que vai acabar). A Europa tem tantos problemas que me está a parecer que o melhor é mesmo fazer um extreme makeover...

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