terça-feira, 15 de março de 2016

Menos

Mudei-me para a Alemanha com uma mala. No Natal trouxe outra cheia coisas de inverno que, já se sabe, ocupam mais espaço, por isso o número de itens é bastante reduzido. Posso dizer que nunca vivi com tão poucas coisas como as que tenho agora comigo e não deixo de ficar surpreendida. Porque é possível viver com menos sapatos, menos maquilhagem, menos echarpes, menos pares de luvas, menos gorros, menos brincos. Não só nunca me faltou nada como é tremendamente libertador ter menos coisas mas que gostamos mesmo e usamos muito. E quando tiver as minhas tralhas todas na próxima morada sei que vão ser tralhas que passaram por uma selecção criteriosa - tenho, aliás, planos para uma super hiper mega limpeza de verão em Lisboa, o meu quartel-general de tralhas e afins
O engraçado disto tudo é que mesmo estando a 2 malas de distância de uma mudança, consigo ter individuais da minha casa na Holanda, uma caneca que veio da minha segunda casa de Inglaterra, uma colher de cozinha que comprei quando me mudei para o outro lado do canal, um saco de compras do Albert Heijn, enfim, uma série de coisas random com as mais diversas origens mas que contam a minha história, o meu percurso. O Álvaro de Campos tinha em si todos os sonhos do mundo, já eu tenho comigo todas as minhas casas (o que, no fundo, talvez seja a mesma coisa).

6 comentários:

  1. Se há coisa que eu gosto é de entrar numa casa com a história/percurso da pessoa. :-) Gosto de casas personalizadas, com aspectos diferenciadores, únicos. E os tópicos de conversa que surgem a partir daí, torna todo o diálogo muito mais rico e interessante pelo pedaço de história de vida associada a cada peça (por ex, achei piada quando referiste a colher de cozinha que compraste quando mudaste para o outro lado do canal - gostei da riqueza do detalhe/do momento).
    Concordo inteiramente contigo quando dizes que podemos ser felizes com menos, com peças que gostamos muito e usamos mais. Já vi que somos muito parecidas nestas coisas das organizações..:-) Nos últimos 8 anos, desde que chegámos à Holanda, tenho tido um trabalho de fundo a esse nível, cá em casa, que ainda não acabou. Long story, mas ainda apanhei a fase do fazer enxoval (nasci em 70) e nem calculas a quantidade de serviços que eu dei, por ex. Tb ainda tinha muitas cassettes-video, audio, and so on and so on...A máquina de escrever eléctrica ainda cá canta. Até a colcha e um cobertor do meu berço eu tinha...Como não temos casa em Lisboa (vivíamos num andar arrendado), tivemos de trazer tudo. Nós tb viemos para cá num espaço de um mês (não tive tempo de fazer triagem das coisas), a casa da Lisboa tb era mt grande e não me dei conta de tudo o que acumulei. Uma das minhas vizinhas daqui brinca comigo e diz que tenho uma loja (só fiquei com um dos móveis que trouxe, o resto fui dando e comprando outros, aos poucos, de acordo com a casa e à medida que me livrava de mais tralha). Entretanto, engordei muito (25 kg) devido ao Hipotiroidismo e tive de dar toda a minha roupa ( e no último ano e meio, já perdi 15 kg e tive que dar roupa outra vez). A quantidade de papel que já deitei fora e ainda tenho caixas para abrir...Tem sido exigente, mas tenho vindo a gostar da selecção que tenho vindo a fazer...
    É muito libertador separar o trigo do joio, já conseguirmos encontrar as coisas mais facilmente, muito melhor...

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    1. Como te percebo :) Adoro casas com história e é talvez a única coisa que me falta aqui, embora tenha alguma história com estas coisas completamente aleatórias que acabei por trazer ahah. Mas destralhar tem sido muito libertador. Ainda não mexi em coisas tipo cassetes (também tenho, ah pois), CDs, postais/cartas, e toda uma série de bugigangas mas só o facto de viver com menos roupa fez-me ver que tenho mais coisas do que preciso (e, curiosamente, fez-me ver aquilo que preciso de comprar e o que vou dar...). Boas arrumações! E boas memórias :)

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    2. No caso das bijuterias, tenho poucas comparando com a maioria das mulheres. Mas gosto de comprar uma peça quando viajo. Na Grécia, por ex, comprei uma pulseira em pedras de lava (foi em Santorini).
      Os postais tenho vindo a organizar este ano. Esses ficam. Os marcadores de livros também. Guardei-os em caixas de chocolates. Cartas e fotografias idem.

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    3. Oh, adoro trazer coisas de viagens, são as minhas tralhas de estimação :) Agora colecciono ímans para o frigorífico, um de sítio que visito. Sou apaixonada por canecas e se vir uma gira acabo por comprar (mas é uma coleção muito pouco prática por razões óbvias...). De resto, nem tenho muitas coisas, acho que não me estou a sair mal :)

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  2. Olha passei pelo menos quando mudei para Angola. Dias antes de viagem entrei em stress, como podia eu levar a minha vida toda em apenas e malas? O certo é que chegando em Angola percebi que só tinha era tralha pois nada me fez falta. Agora mudei para Espanha e trouxe apenas as 2 malas de Angola e nada diferente a não ser o facto que a roupita que levei para Angola é um bocadinho fresca para esta altura do ano em Espanha massss o bom é que o calor não tarda está aí =)

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    1. Mas não achas que em passando o estado de pânico inicial acabamos por conseguir escolher o essencial e viver com menos? Eu tenho aquelas peças de roupa que acabo sempre por escolher levar comigo :)
      Epa, mudar de Angola para Espanha dificulta um bocado o guarda-roupa eheh. Regra do nómada: manter sempre o mesmo clima para ser mais fácil trocar de país :D

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