quinta-feira, 31 de março de 2016

Abril... planos mil

Abril vai trazer 5 descolagens e 5 aterragens, 14 noites em hotéis de 3 países diferentes (2 delas em aeroportos... não há nada mais deprimente do que hotéis de aeroporto), 2 conferências, uma apresentação, 3 fins de semana fora de casa, um fim de semana com visitas, uma entrevista de emprego, uma entrega importante, uma teleconferência com 8 horas de diferença horária... enfim, não sei como é que um mês de apenas 30 dias conseguiu a proeza de ter tantos planos. Um amigo meu gozou comigo e disse que estou pior do que o tipo do Up in the Air e é quase verdade, só me faltam as milhas (porque as manias da arrumação da mala e os rituais a passar a segurança já tenho, oops).



terça-feira, 29 de março de 2016

Mood do regresso ao trabalho

O How I Met Your Mother tem imensas frases que mereciam aparecer neste blog (e não estão já? cof cof) por se assemelharem a algo que eu gostaria de ter escrito. Gosto, pronto. Eu sou um bocadinho do Ted e da Lily, mas também da Robin e do Marshall. E, pronto, talvez até do Barney. Mas por muitos monólogos brilhantes e tiradas mais ou menos profundas que a série tenha tido ao longo dos anos (e eu sei mais do que aquelas que vou admitir - sim, sou uma geek das séries...), esta continua a ser a minha cena preferida.


Porque gosto de pensar que todos os acontecimentos são, no fundo, uma espécie de dominó: os meus leaps, mesmo com tudo aquilo que trouxeram de menos bom, desencadearam não só aquilo que tenho hoje como puseram em marcha o melhor que há-de estar para vir. Of course that story is only just beginning.

terça-feira, 22 de março de 2016

Um ataque ao coração

O aeroporto é a minha segunda casa. É onde começam as viagens para casa, para a próxima reunião, para a apresentação do outro lado do mundo, para um fim de semana entre amigos, para um casamento ou a próxima festa de anos. É onde, quando olho para os quadros com as informações dos voos, ponho na minha lista imaginária todos os destinos que ainda me faltam conhecer. Onde consumo lattes enquanto despacho emails, dormito em cima de relatórios, vejo montras ou observo pessoas. E talvez porque o aeroporto seja a minha segunda casa e Bruxelas o escritório da Europa (ou pelo menos dessa Europa que é composta pelos meus amigos e por uma série de empresas com quem trabalho), que hoje me sinto um bocadinho vazia por dentro. Perguntaram-me "e não tens medo?"... não sei, acho que não. Temos de continuar a sair de casa e a viver, não é? Claro que é possível que olhe duas vezes à minha volta. Aliás, o metro faz-me cada vez mais confusão e claustrofobia mas não deixo de andar quando vou a Londres, por exemplo. Nem acho que vá passar a ter medo de voar. Ou andar de comboio. Ou de qualquer outro meio de transporte. Sobretudo, acho que não vou deixar de gostar de aeroportos. E se alguma vez sentirmos que só há coisas más por aí, os aeroportos têm as chegadas para nos provar o contrário.

domingo, 20 de março de 2016

Pequeno almoço de Domingo

Descobri o sítio mais fofo de sempre para tomar pequeno almoço cá na terra. Chama-se Teestübchen e é uma verdadeira casinha de bonecas.


Nós fomos tomar o pequeno-almoço (não há cá brunch, é mesmo pequeno-almoço à moda antiga) com ovos, pão, compotas, queijo e uma bebida quente. Acabámos por também experimentar chá (há umas 3 ou 4 páginas do menu só com chás, tãaaao bom! o mais difícil é mesmo escolher) e uma fatia de bolo, que um dia não são dias. A comida "normal" também tinha óptimo aspecto e acho que vou voltar mais vezes para experimentar outras especialidades da casa. Para além disso, o espaço é super giro! A casa tem 3 andares e cada um deles é uma sala que parece uma casa a sério, não é um amor? Fiquei fã!




quinta-feira, 17 de março de 2016

yeaaaaaaaaaaaah

Estou sempre a dizer que só me mandam para sítios pouco interessantes (sempre com escala em Frankfurt, onde o meu computador já se liga sozinho à wifi do aeroporto, uma tristeza) mas eis que de repente tudo muda: vou aos Estados Unidos! Yeaaaaaaah, não sei se isto foi o Santo António, santo da devoção lá de casa, mas convidaram-me para botar faladura no outro lado do lago. A mim. Até fiz a minha dança da vitória quando soube da notícia (depois de verificar que estava sozinha, claro). Isto é a minha sorte a mudar, pessoas!

Nota: Primeira coisa que fiz a seguir à dança da vitória? Ir ao TripAdvisor. Segundo pensamento que tive: convidaram-me para falar? E eu vou dizer o quê? Damn. Terceiro pensamento: e o que vou levar para vestir durante uma semana? Estão a ver a organização das prioridades que o meu cérebro faz...

quarta-feira, 16 de março de 2016

Querido líder

Numa das primeiras entrevistas de emprego que fiz quando estava a terminar o curso perguntaram-me o que esperava eu de um líder. A resposta que dei envergonha-me um bocado e por isso vou abster-me de a imortalizar aqui no blog mas hoje pensei em quanto a minha definição de líder mudou desde essa altura. Não que eu seja uma expert nesta coisa de gerir pessoas mas já tive vários chefes, de diferentes feitios e nacionalidades, com mais e menos mania e não posso deixar de pensar que tive muita sorte. Porque devo ter tido o melhor e o pior de entre os perfis que se encontram aí pelos artigos de opinião em HBRs e afins, e isso sempre me dá perspectiva do que devo evitar e da sorte que tive com os chefes excelentes para os quais já trabalhei. Hoje percebo que um chefe não gere tarefas mas sim pessoas, e é por gerir pessoas que deve perceber que estas são o seu maior asset.
O melhor chefe que tive até agora foi aquele que sempre acreditou em mim mesmo quando o meu currículo não tinha nada de especial para lhe mostrar. Foi aquele que me deu responsabilidades, oportunidades de aprender, de crescer, que ouviu a minha opinião tal como ouvia a opinião de quem trabalhava ali há 10, 20, 30 anos. É graças a ele que construí o (ainda modesto, é certo, mas ainda assim) currículo que hoje tenho. Os melhores chefes que tive tinham em comum o facto de não definirem o caminho mas apenas o destino: chegar lá era minha responsabilidade e não tinha que ser à maneira deles, nem eu tinha que seguir o percurso que eles seguiriam. Os piores chefes que tive, por outro lado, regiam-se pelo "my way or the high way", onde nenhuma opinião que não fosse a deles conta verdadeiramente para a equação. Um chefe que opta pelo micromanagement, que não consegue escrever emails sem parecer que está com 2 pedras na mão, que tem lack of social skills, é um chefe que vai alienar a sua equipa. E é um chefe que vai perder essa equipa mais cedo ou mais tarde.
Eu sei que ainda tenho muito caminho para caminhar e que talvez venha a ter vergonha desta reflexão, como hoje tenho vergonha da resposta que dei nessa entrevista, mas hoje, nesse sítio de inspiração que é o tram, concluí que ter um bom chefe é bem melhor do que ter um bom emprego. Porque não há grandes empregos sem um bom chefe. É que mesmo que esse grande emprego tenha um grande ordenado, há coisas que o dinheiro não compra. Ou isso, ou sou uma idealista, também pode ser.

Nota: Desculpem os estrangeirismos mas é assim que a minha cabeça funciona, ou seja, mal! Como é que se diz asset em português? E lack of social skills? Muita sorte em eu não me pôr aqui a dizer genau, que é só a melhor expressão de sempre para mostrar que se concorda. E agora decidi aprender Russo. Me aguardji.

terça-feira, 15 de março de 2016

Menos

Mudei-me para a Alemanha com uma mala. No Natal trouxe outra cheia coisas de inverno que, já se sabe, ocupam mais espaço, por isso o número de itens é bastante reduzido. Posso dizer que nunca vivi com tão poucas coisas como as que tenho agora comigo e não deixo de ficar surpreendida. Porque é possível viver com menos sapatos, menos maquilhagem, menos echarpes, menos pares de luvas, menos gorros, menos brincos. Não só nunca me faltou nada como é tremendamente libertador ter menos coisas mas que gostamos mesmo e usamos muito. E quando tiver as minhas tralhas todas na próxima morada sei que vão ser tralhas que passaram por uma selecção criteriosa - tenho, aliás, planos para uma super hiper mega limpeza de verão em Lisboa, o meu quartel-general de tralhas e afins
O engraçado disto tudo é que mesmo estando a 2 malas de distância de uma mudança, consigo ter individuais da minha casa na Holanda, uma caneca que veio da minha segunda casa de Inglaterra, uma colher de cozinha que comprei quando me mudei para o outro lado do canal, um saco de compras do Albert Heijn, enfim, uma série de coisas random com as mais diversas origens mas que contam a minha história, o meu percurso. O Álvaro de Campos tinha em si todos os sonhos do mundo, já eu tenho comigo todas as minhas casas (o que, no fundo, talvez seja a mesma coisa).

sábado, 12 de março de 2016

Very British (Problems?)

Vou uma semana a Londres em trabalho durante o mês de Abril (acho que já fui mais vezes a Londres por mês do que quando morava na ilha!) e enquanto procurava ideias de espectáculos e musicais (haja prioridades), encontrei o meu próximo objectivo artístico: assistir à Last Night of the Proms da BBC (ninguém disse que era um objectivo simples...). O vídeo que aqui incluo é dos meus preferidos a par do Jerusalem (aviso à navegação, o Jerusalem contém alto teor de patriotismo). Eu sei que é só um medley da Mary Poppins mas lembra-me a saudade e um sentido de pertença inexplicáveis. A "feed the birds", então, dá-me vontade de comprar um bilhete agora mesmo.


Mas nem era isso que eu vinha aqui dizer, vinha mostrar a melhor página do Facebook. Chama-se Very British Problems e faz-me rir todos os dias - para além de me pôr a pensar que talvez deva candidatar-me  à cidadania britânica (por ser igualmente awkward, entenda-se). Vá, para equilibrar a nostalgia do vídeo acima, aqui ficam algumas graçolas da página.


"I'm getting that train too!"
Oh good.


Marvelling at the confidence of someone who has the ability to say "excuse me, sorry, this isn't what I ordered".


The most misguided assumption of all time: "Perhaps you'd like to say a few words?".


Never feeling more panicked than when hearing "all tickets please!", despite yours being in your hand since boarding the train.


How to deal with workmen:
-Stand in an odd bit of the room
-Place hands on hips
-Match their accent
-Nonchalantly offer "tea, coffee, water....squash?"


"It's fine, I only got here myself" - Translation: I've been here for two hours.


Only allocating yourself a maximum of three seconds to peruse any menu in a sandwich shop.


"I thought it might be nice to go round the room and say a bit about ourselves".
You thought wrong.


"I'll put the kettle on"- Translation: "I'll temporarily solve all of our problems".

quarta-feira, 9 de março de 2016

Somos um cartoon

Eu trabalho com várias pessoas mas a minha equipa é essencialmente outro colega meu, num duo espectacular que viaja por esta Europa fora. Uns colegas nossos acharam que o nosso trabalho junto de um dos nossos parceiros podia ser retratado pelas personagens deste trailer:


E sim, eu seria o coelho. Não consigo deixar de me rir!

terça-feira, 8 de março de 2016

Mulher...em mundo de homens?

No Técnico tive professores que achavam que nós não sabíamos o nome das ferramentas ou dos materiais de construção apenas porque éramos raparigas ("as senhoras não sabem isto" diziam). Lembro-me como se fosse hoje do colega que assumiu que eu não sabia explicar um laboratório de microprocessores porque de certeza que tinha sido o rapaz do grupo a preparar a aula (a ironia é que dessa vez tinha sido eu a fazer o trabalho sozinha porque precisámos de dividir os projectos). E muitos outros exemplos que a memória fez o favor de me fazer esquecer dos detalhes. Eu sei que não se comparam a outros exemplos de "desigualdade" por esse mundo fora (ou noutros bem mais perto de nós) mas foi a primeira vez que senti que havia uma diferença. A coisa intensificava-se se fôssemos raparigas que por acaso sabiam conjugar as cores e se vestissem, vá, um bocadinho melhor. Depois esbateu-se, ou eu deixei de notar, agora já não sei qual é a verdade. E nunca desde que tenho o diploma me fizeram sentir que valho menos do que qualquer homem, ou descobri que ganho menos do que um para fazer o mesmo trabalho. Mas pode ser só ignorância minha, admito.
Acho uma parvoíce ter quotas para ter mais mulheres na ciência ou na engenharia ou seja onde for, como se fôssemos menos capazes e precisássemos que nos dessem lugares especiais. O que acho importante, e é isso que fazia em Inglaterra, é mostrar a miúdas que a ciência e a engenharia são para toda a gente, rapazes e raparigas. Não para que haja 50% de mulheres no ramo porque é preciso ser tudo igual e super distribuído (não temos todos direito à diferença?) mas para que haja a percentagem que homens e mulheres bem quiserem e não porque "é preciso que seja assim". Para que seja um não-assunto. É que na verdade, na altura em que escolhi ir para engenharia nunca me passou pela cabeça que aquilo fosse "coisa de homens" (por que haveria de ser?) e é isso que procuro promover no meio das miúdas, tirar-lhes esta ideia de que há coisas que não são para elas. Se depois disso, elas quiserem ir na mesma para Literatura ou Psicologia ou lá quais são os cursos que a sociedade diz serem "de mulher", por que raio haveriam de não o fazer? E é só no dia em que for um não-assunto o facto de uma miúda escolher ciências ou letras (entre muitos direitos, claro, mas mantemos o tópico do post), que será possível discutir o sentido o Dia da Mulher nesta Europa "civilizada".

domingo, 6 de março de 2016

A Sofia

Quando descobri que a Sofia Escobar é júri no Got Talent Portugal dei por mim a pensar o que raio faz alguém com o talento dela num sítio como aqueles. Não que esteja a julgar o programa, apenas acho uma pena que a melhor Christine de sempre (no meu ranking particular, claro) não pise mais vezes os palcos do West End.
Isto pode parecer-vos uma parolice de todo o tamanho mas quando a vi ao vivo no Her Majesty's Theatre fiquei tão orgulhosa como se de uma amiga se tratasse. Ali estava uma grande, grande Christine que fazia parte desses 10 milhões (poucos!) que somos num rectângulo à beira-mar plantado. Não que eu ache que os tugas não tenham capacidade ou que devemos gostar de alguma coisa só porque é tuga e tem sucesso "lá fora" (expressão que me irrita particularmente), mas porque mostra a todos os fatalistas que nascer no rectângulo não é impeditivo de nada (e por que haveria de ser?). Nunca achei que as pessoas pudessem ter sucesso "apesar" de serem portugueses, ou chineses, ou da Cochinchina, como se isso fosse alguma doença. Simplesmente em algumas áreas os números falam por si e nunca vamos poder comparar a quantidade de americanos no teatro musical com o número de portugueses, daí que haja menos portugueses em lugares de destaque - é natural. Por isso, aprecio ainda mais estas histórias de sucesso de pessoas que lutam e conseguem concretizar os seus sonhos against all odds, não por serem portugueses, mas porque as odds são baixas para quase todas as nacionalidades. Mas se o facto de partilharmos o sítio ao qual chamamos "casa" me faz identificar mais com elas, pois então que seja parolice. Eu cá escolho vê-lo como inspiração.


sábado, 5 de março de 2016

Emigrante anti-social

Como aos Domingos está tudo fechado neste país, é aos Sábados que tenho de ir ao supermercado e tratar de todas as mil umas coisas que preciso de fazer no fim de semana e que envolvem socializar com outras pessoas. Mas a barreira da língua faz-me querer reduzir ao máximo a dita "socialização" e dou por mim a escolher a senhora da caixa que menos fala com os clientes (juro...). Se estou numa fila e percebo que a senhora é faladora, começo logo a ficar com suores frios (ok, nem tanto, mas percebem a ideia) e rezo para que a conversa nunca saia do "tem cartão?", "quer os pontos?", "quer o talão?" ou "tem 20 cêntimos?". Há qualquer coisa em mim que me bloqueia o (pouco) alemão que tenho enquanto estou nas filas dos supermercados ou quando me pedem direcções (que eu até sei explicar!). O engraçado é que descobri que aqui nesta zona também se diz "não" a soar a "nei", tal e qual como na Holanda - não fiz assim tão má figura quando me mudei!

quarta-feira, 2 de março de 2016

The bigger story

Acho que há uma espécie de Ted Mosby em mim - só que em vez de namoradas mudo de cidade e de país (uma, duas, três, quatro vezes). E agora que o caminho se pode tornar mais parecido com um círculo (e quem é que gosta de andar às voltas?) já me perguntei se não teria feito melhor ao escolher outras opções, outra viagem. Mas depois percebo que aí é que está a questão: tal como para o Ted, it was all about the journey.


"But there's a bigger story. The story of who I had to become before I could met her. And that story begins here."