terça-feira, 4 de agosto de 2015

The world is your oyster

Perguntam-me muitas vezes quando volto. Geralmente seguido de um "pois, isto agora está difícil" ou "talvez quem sabe quando isto melhora". E eu nunca comento. Mas a verdade é que não emigrei porque "isto está difícil", por não ter emprego ou sequer para ir ganhar um ordenado milionário (que nunca tive, sempre contei os tostões). Emigrei porque queria mais. E mesmo que Portugal amanhã se tornasse num país super rico com ordenados espectaculares eu duvido que voltasse logo a correr, porque tenho esta ideia romântica (e talvez parva) de fazer aquilo que se gosta, ou pelo menos estar a caminho disso, e é o que eu procuro fazer além-fronteiras. Como já aqui escrevi, de que me adianta querer ser astronauta em Portugal? Ou actriz de Hollywood? Ou fazer investigação numa área super recôndita da ciência que só se pode fazer em 2 ou 3 sítios? E onde é que isso depende da prosperidade de um país? Mas já sei que se falar com a minha avó ela vai dizer "eu acho que ainda volta daqui a pouco tempo". E eu respondo sempre "pois, é possível". Porque não me adianta dizer que não sei e que sinceramente não me parece, nem vejo como. E não faz mal. A única coisa que gostava era de passar mais tempo com a minha família, o dia a dia, o ir jantar a casa, aquelas pequenas coisas que só percebemos como nos fazem falta quando deixamos de as ter. E a luz de Lisboa, também gostava de ter sempre comigo a luz de Lisboa, mesmo quando chove. Isso é o que a emigração me tira. De resto, vivo sem dramas, não me sinto num exílio permanente nem acho que isso ajude ninguém que saia do país. Já tive várias casas e apesar de umas serem mais "casa" do que outras, acho que podia viver em qualquer lugar.

2 comentários:

  1. Como te compreendo. Sai de Portugal ha 5 anos; na altura porque estava cansada e farta da minha vidinha de escritorio 9-5, emprego estavel mas quase a contar tostoes (apesar de conseguir viajar 1x por ano para fora), ir sempre aos mesmos sitios em Lisboa, enfim... quis uma pausa, quis sair para espairecer, sempre com o proposito de regressar (foi-me permitida uma leave of absence). E depois, nao quis mais regressar. Consegui um emprego melhor, mas o que gosto mesmo e' de morar no centro da Europa e poder viajar, conhecer pessoas de diferentes paises, perceber as suas historias, tornar-me mais conhecedora e tolerante, inspirar-me em modos de vida alternativos, ouvir e falar novas linguas, entender que o mundo e' maior do que aquele que vemos no cantinho junto ao oceano. Sao muitas as pessoas que volta e meia me enviam anuncios de emprego com o proposito de regressar, mas mesmo que me pagassem mais (e ja tive essa oportunidade), nao e' o que quero. Nao agora. Quero viajar ainda mais, morar noutros paises, absorver e aprender mais e mais - The world is an oyster; e em 5 anos caminho para o quarto pais - uma nova aventura, e sabe TAO bem.

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  2. Revi-me muito no seu texto e no comentário acima.

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