sexta-feira, 31 de julho de 2015

Calais

Não se lê outra coisa nos jornais: os imigrantes (emigrantes? de onde consideramos o fluxo migratório mesmo?) que tentam chegar à ilha. São imigrantes ilegais, são refugiados, são os dois. Lutam por um lugar melhor, como todos aqueles que fogem de conflitos e, no fundo, todos aqueles que saem do seu país. Acho horrível ler os comentários nos jornais online que dizem que se devia inundar o túnel e deixá-los morrer afogados, ou começar a abatê-los ou afundar os barcos que tentam chegar à Europa. Desculpem se é um exagero da minha parte, mas na minha cabeça começo logo a associar tais afirmações a uma hierarquia das raças e à exterminação dos menos "adequados", filme que já vi noutro lado... Mas por outro lado (e aqui sinto-me uma pessoa horrível por dizer isto), não podemos simplesmente fazer da ilha (ou da Europa, em geral) um gigantesco campo de refugiados. Qual é o resultado a longo prazo? Sim, salvamos estes, mas e todos os outros? Vamos estabelecer toda a população de zonas de guerra/perseguições religiosas/crises económicas aqui no estádio do Aston Villa? (E sim, isto é obviamente uma hipérbole.) Não sou, obviamente, contra quem procura um lugar melhor, mas acho que as coisas devem ser feitas nos limites da legalidade e, já agora, do bom senso. Percebo quem diz que a Europa não sobrevive se receber toda a gente que para cá quer vir. Sei que é uma frase horrível mas percebo, porque não é uma situação sustentável (vamos destruir ainda mais os estados sociais?). Mas não concordo que se tratem as pessoas como gente de segunda ou terceira classe e se olhe para estes imigrantes como uma praga que que deve controlada fora das fronteiras do reino. Acho que todos deveriam ter hipótese de refazer a sua vida e se isso passar por viver aqui na ilha ou noutro qualquer sítio pois então que seja. Mas que sejam cidadãos com direitos e deveres (como, aliás, todos os outros deveriam ser). Sobretudo, acho que se devia olhar para os problemas com um olhar mais crítico do que os resultados das sondagens parecem permitir. Talvez seja inocente da minha parte pensar que as coisas deveriam ser resolvidas no ponto de partida e acabar com os conflitos e a miséria que criam o desespero. Gostava de ter uma solução mágica mas não tenho, and that sucks.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Uma pessoa bem quer ser zen

Mas quando liga o telemóvel de manhã tem logo uma série de zumbidos com as notificações de mensagens de gente
que
escreve
assim
e que
acha
muito
normal
clicar
em
send
no final
de
cada
palavra.
Parem, é irritante, a sério. Agradecida.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Tão bom


Também tem uma página de Facebook mas o livro (que não é um livro, mas antes um conjunto de pequenas frases, tipo banda desenhada) é espectacular. Talvez seja eu que tenho um humor estranho (um amigo português pegou no livro aqui em casa e disse "isto não tem piada nenhuma") ou talvez esteja mais perto da naturalização do que pensava.

sábado, 25 de julho de 2015

Minimalismo

Há uns dias decidi mudar o aspecto do blog. Estava farta da cor e optei por pôr tudo branco, sem mais floreados, simples. Aproxima-se uma fase de limpezas (mentais e físicas) pelo que decidi começar pelo blog. Talvez um dia destes me dedique a fazer-lhe um header mais bonito e mais espacial, como este nome que lhe dei.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Random acts of kindness

Mesmo antes de entrar no autocarro dei conta que o passe tinha expirado há 3 dias. Perguntei quanto era o bilhete. 2 libras. Abri o porta-moedas e vi que só tinha 1 libra. Disse "vou ter que ir no próximo" e saí. O senhor apitou. "Entre". "Mas eu só tenho 1 libra". "Não faz mal". E foi assim que este acto de gentileza alheia me animou o dia chuvoso de outono que se faz sentir por aqui. Caramba, gosto mesmo de viver nas Midlands.

The Lion King


Não era o que eu queria ver mas valores mais altos se levantaram. A verdade é que gostei bastante e, não digam a ninguém, chorei um bocadinho na música "He lives in you". Os cenários são incríveis, os cantores são fabulosos e acho que vale muito a pena tirarem umas horinhas em Londres para irem ver o Rei Leão.
Não recomendo que comprem os bilhetes em cima da hora especialmente ao fim de semana porque arriscam-se a só ter lugar de pé (há Standing tickets e, aliás, se não se importarem de ver um musical como quem assiste a um concerto ali no Alive é uma boa forma de poupar uns trocos significativos). Eu vejo sempre o site do próprio teatro e reservo online. Se morarem no UK eles enviam por correio senão podem levantar na bilheteira quando chegarem. Tenham ainda em atenção que há muitos lugares de visibilidade reduzida e que se quiserem marcar um espectáculo mais popular numa altura mais concorrida (como o Natal) é boa ideia fazê-lo com antecedência e analisar os vários preços e a respectiva localização do lugar (eu uso este site) porque às vezes só há os lugares super caros (ali a rondar as 100 libras por cabeça) ou os que ficam atrás de um poste... (Acho que por esta altura já tenho um PhD em alguns teatros londrinos). Se tiverem flexibilidade e paciência (e algumas horas de procrastinação, como eu), conseguem lugares razoáveis por um preço simpático.
Já agora, a ressalva: mesmo que, por princípio, não gostem de musicais, recomendo que dêem uma oportunidade a um dos da santíssima trindade (Fantasma da Ópera, Miseráveis ou Rei Leão), são espectáculos únicos e valem pela experiência.

PS- Este post está mais do que atrasado... eu fui ver o musical em Maio! É por isso que vêem pessoas todas encasacadas na fotografia. Porque agora está totalmente diferente, claro. Not.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Stationery addicted

Para além de viajar um dos meus vícios (bem mais em conta, é certo) é comprar cadernos, blocos, agendas e tudo o que houver numa secção de papelaria. Desde que emigrei que faço ainda mais questão de comprar material português porque é uma maneira de me sentir mais perto de casa (soa um bocado lamechas mas é verdade) e porque adoro responder "é português!" quando comentam que os meus cadernos são tão giros (gaba-te cesto). Cada um com as suas pancadas. Estou por isso maravilhada com todos os cadernos que vi na loja Arminho. Quero todos. (O Natal está quase a chegar, hã?) É possível que o pessoal do Porto já os conheça, eu confesso aqui a minha ignorância. Mas para me redimir vou comprar um ou outro caderno. E quem 2 diz 3.







terça-feira, 14 de julho de 2015

Estamos assim há quase uma semana


Pelo que quaisquer imagens de pés na areia ou à beira da piscina que eu possa ver por essa internet fora me parecem ser de uma realidade bastante longínqua. Não que me importe muito, atenção. Mas agradecia que, pelo menos, não chovesse. E já agora, queria uns dias assim melhorzinhos lá para o final de Agosto, pode ser? 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

(nem) só em Portugal

Acho piada quando ouço por aqui "por isso é que este país está como está". Mais um bocadinho e parece que estou em Portugal. Por estes lados o queixume também existe, noutros contornos, é certo, mas existe. Será por isso que os dois países sempre se deram bem? Haa!

Vamos antes falar do tempo, sim?

Dei por mim a pensar que há muitas perguntas que às vezes se fazem, acredito que sem maldade, e que moem por dentro de quem as ouve. São aquelas perguntas que se ouvem de tias que não vemos há muito tempo, ou de quem quer meter conversa só porque sim. Então e quando têm filhos? Então e quando casas? Então e quando arranjas um/a namorado/a? Ou aquelas que são atiradas em jantares que misturam amigos e conhecidos. Mas por que é que não queres ir ali? Por que é que não bebes?
E acho que nunca ninguém parou verdadeiramente para pensar no que pode estar escondido nas respostas a essas perguntas. E eu reparei porque há uns dias fizeram-me uma pergunta das que não matam mas moem e percebi que os comentários atirados só porque sim, porque não têm mal nenhum, não são sítio por onde se vá quando se está só a fazer conversa. Mais vale comentar só o que está à vista. Dizer como aquele filho é fofinho, em vez de perguntar pelo segundo. As escolhas e as circunstâncias de cada um, mais do que não nos dizerem respeito, não precisam de ser colocadas entre a espada e a parede. Sobretudo, não vale a pena pôr dedos em feridas que não sabemos que existem.

domingo, 5 de julho de 2015

O verão sem férias

Encontrei mais uma alma que, como eu, não vai de férias de verão. E apeteceu-me logo dar-lhe um abraço solidário, que se há altura em que precisamos de um abraço é quando começamos a ver fotografias das férias dos outros no Instagram e Facebook e um sem fim de redes sociais que só existem para pôr ainda mais o dedo na ferida de quem fica a trabalhar Junho, Julho e Agosto. Felizmente que o calor por aqui decidiu dar tréguas (hoje), e por isso vou fingir que não me chateiam as trovoadas que se fazem sentir no verão (já na Holanda era o mesmo filme, se bem que só mais lá para Agosto), se calhar moro num país tropical e não sabia...
E se eu achava que estava muito bem assim sem férias e sem a certeza de poder descansar à sombra de uma qualquer palmeira em Setembro (e estou, não me faz muita diferença, só é chato começar a ver as fotos de pés alheios na piscina), a verdade é que eu sofro de um mal incurável... preciso de ter planos de viagem! Vários! E é por isso que nos meus momentos de procrastinação dou por mim a abrir o Google Maps e a pensar onde vou a seguir. E começo a pesquisar ideias de férias e já sonho com um Dezembro com o pé na areia. Já li imensos fóruns acerca de Jerusalém, já comprei o guia (obviamente) e mais um bocadinho já posso eu própria ser guia (ok, menos). Já comecei a pensar que é em 2016 que quero MESMO ir à Jordânia. E comecei a ter uma ideia louca de ir finalmente ao Nepal e ao Tibete (a primeira viagem de destinos "exóticos" que me lembro de querer fazer). Isto é doença, parece-me.