terça-feira, 30 de junho de 2015

E agora este momento histórico


Vai ser o fim do mundo em cuecas.

Ah, que fixe, moraste na Holanda

É talvez por causa desta reacção que acho que depois aparece aquela mistura de desilusão com incredulidade quando digo que não gosto por aí além de Amesterdão. Mas como não? Aquilo é que é vida, super descontraídos, e o ambiente, e coiso e tal. É porque não sabes onde te divertir (adorei especialmente esta). Desculpem qualquer coisinha, está bom? Acho que já disse aqui que Amesterdão não foi a primeira cidade que conheci na Holanda. E depois do impacto dos canais e das bicicletas o país começa a ficar muito mais do mesmo. Sim, cada cidade tem a sua identidade mas começam a ser variações do mesmo conceito. E Amesterdão está cheio de turistas que querem ficar bêbados e visitar todas as coffeeshops e sexshops da cidade, como se houvesse um passaporte para carimbar em cada uma delas. Not my cup of tea. Claro, é uma cidade engraçada mas não é a minha preferida, peço desculpa pela heresia. (Gosto mais de Den Haag para cidade 'a sério' e Leiden para cidade 'de bonecas' - uma para cada tamanho). Mas para a próxima digo que sim, gosto muito de Amesterdão. There, muito mais simples.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Yellow umbrella

Uma pessoa mostra aqui o seu lado nómada e globetrotter, capaz de morar em qualquer canto do mundo e disposta a quase tudo para alcançar os sonhos mais estrambólicos e depois dá-se conta que tem quase vergonha de abrir o blog e falar da pontinha de inveja que sente de pessoas mais... normais. Dos amigos que casaram e procuram uma casa com jardim. Que escolhem o nome dos filhos. Que arranjaram um cão. Que têm uma vida mais "adulta" do que alguém que passa a vida a encaixotar a tralha e à procura de alguma coisa que às vezes tem medo de nunca encontrar. E não é desejar mal a ninguém, que não desejo, mas às vezes também queria um bocadinho desse normal. Whatever normal means.


sábado, 27 de junho de 2015

Uma casa de tijolo

A primeira vez que vim a Inglaterra devia ter os meus 11 ou 12 anos e desde então poucos foram os anos em que falhei uma visita à ilha. Sempre achei que podia ser daqui e a minha mudança veio confirmar isso mesmo. Com isto não quero dizer que este seja o país perfeito (longe, muito longe disso!) mas depois de ter estado 2 anos na Holanda atravessar o canal deu-me a sensação de estar finalmente em casa e isso tem que significar alguma coisa. Talvez a língua ajude bastante neste sentimento de pertença, não digo que não, mas eu acho que é mais, muito mais do que isso. É este jeito de gostar do humor britânico e até daquela altivez de antigo império, que se carrega como quem leva sempre um relógio de bolso e um chapéu alto invisível mesmo que se ande de chinelos e calções. É a small talk no supermercado, nos correios, na paragem de autocarro, com simpatia mas sem perder o sentido muito particular do que é ou deixa de ser "próprio". É o senhor que vende revistas e que me pergunta sempre como estou e deseja um bom dia quando passo, mesmo que nunca lhe tenha comprado qualquer coisa. São os charity events e as vendas de bolos na biblioteca do bairro, as corridas no parque ao sábado de manhã e o sem número de eventos organizados por voluntários, que se há coisa que abunda por aqui é o espírito comunitário. São os torneios de futebol e cricket no relvado do colégio e os miúdos de uniforme à saída da escola primária mais querida de sempre. É a obsessão com a família real e as roupas da Kate ou a última fotografia do George. São os pubs e os pub quizzes, as sausages and mash, as salt and vinegar chips, a shepard's pie, as jacket potatoes ou o Sunday roast. É o Natal começar em Outubro. São os constantes weather reports no facebook da BBC (com piadas!). É este jeito de viver a vida, tão próprio, tão difícil de descrever, que me faz sentir em casa a caminho dos 2 anos de estadia nesta ilha junto à Europa. 
Perguntam-me muitas vezes se os ingleses não são desagradáveis para os estrangeiros que cá moram mas a verdade é que não tenho nada a apontar, sempre fui bem recebida em todo o lado, desde a aldeia mais pequena até à capital. Mas não digo que não ajude conseguir passar por "um deles" até à hora de dizer o meu apelido ou mostrar o meu passaporte. É possível que o sotaque britânico e a pele branca ajudem nesta minha imagem positiva do país, assim como a minha profissão, não digo que não. Não vejam este relato como a descrição do país perfeito, que não o é.

Hoje dei por mim a pensar como com 11 ou 12 anos o meu sonho era morar em Londres numa casa de tijolo com as janelas dispostas em jeito de semi-círculo. E em como tive quase sempre o privilégio de realizar até os sonhos mais parvos, como este. Porque hoje moro numa casa dessas. Não é em Londres, mas é em tijolo e tem as janelas em semi-círculo. É engraçado como as coisas mais simples podem significar tanto.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Nem preciso de calendário

Sabes que o verão chegou quando começam a aparecer os convites para um piquenique. E sabes que estás em Inglaterra quando todos eles vêm com um "weather permitting" e até uma fotografia da previsão do tempo para os próximos dias. Se há coisa que se perde quando se emigra mais para Norte é a garantia quase inabalável que o final de Junho, Julho e Agosto são meses onde há sol todos os dias e a chuva é uma excepção infeliz. Apesar de tudo, os mínimos para o barbecue weather são uns furos acima da Holanda: se lá bastavam uns 10 graus com um céu esbranquiçado mas sem ameaçar chuva, aqui pelo menos chegamos aos 20 e está sol. It's picnic time!

terça-feira, 23 de junho de 2015

Música (lição?) do dia


I'd rather stand tall
Than live on my knees
Cause I am a conqueror
And I won't accept defeat
Try tellin' me no
One thing about me

Is I am a conqueror

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Coisas que eu gosto e não encontro por cá

Delícias do mar. E iogurtes líquidos. Eu sei que o verão aqui é fraco mas esta gente teve infâncias muito tristes sem saladas de delícias do mar nem iogurtes líquidos de ananás na lancheira.

Leitores do UK (anyone?): vocês contem-me tudo se eu andar a passar ao lado disto!

domingo, 21 de junho de 2015

Em repeat


Never fear, no never fear

So let your heart hold fast
For this soon shall pass
There's another hill ahead

(e sempre um bocadinho chateada pelo fim do How I met your mother...)

sexta-feira, 19 de junho de 2015

On a more cheerful note

Pode não haver próxima morada, mas há uma potencial futura viagem. Haja prioridades!


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Questões existenciais. Literalmente.

Está quase a terminar a época nesta casa e eu ainda não sei bem onde e como vai ser o meu futuro (vida de nómada é assim). O que é estranho é que ontem senti que cheguei à casa de sempre e jantei com os amigos de sempre, na rua de sempre, no pub de sempre. E esta noção temporal não deixa de me surpreender. Até porque tem sido sempre assim: chegar a um sítio, habituar-me às ruas e às pessoas e depois fazer a mala, dentro ou fora do mesmo país. Mas talvez esta casa tenha sido mais casa do que as outras e me tenha parecido mais eterna apesar de desde o início ter sido temporária. E acho que tenho medo (se é que faz sentido) que os meus objectivos me levem a mudar de país e sair da ilha. E a perder os jantares internacionais que já foram planeados mesmo sem haver moradas fixas. A adiar ser uma tia fixe para os planos de fim de semana e ter só as férias e ocasiões especiais. E, sobretudo, a falhar a promessa de acompanhar corridas e piqueniques e superbowl com os meus muffins de chocolate, como uma madrinha que se preze.
Os meus amigos mais antigos e mais recentes (e melhores) estão aqui. Mas... e se as oportunidades me levarem outra vez para as tulipas, em jeito de regresso do filho pródigo? Será que vale a pena? A mudança de cidade (e casa), essa, está garantida. Agora resta saber quão nómada vou ser.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Até já

Até já, Lisboa. Vou um ano mais velha mas gostei muito de cá estar. Matei saudades das amêijoas, das bolas de Berlim, das cerejas bem escurinhas, do pão (!) e da bica. Tentei guardar a tua luz na memória para quando tiver saudades, e vou voar num lugar do corredor para não te ver ficar para trás. Digo até já mas a verdade é que não sei quando volto: pode ser em Setembro, em Novembro ou só no Natal. Mas eu volto, sempre.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Está calor pela pátria. Mal abriram as portas do avião e pus o pé nas escadas achei que me tinha enganado e estava algures no Médio Oriente tal foi o bafo quente que me fez repensar a tshirt preta que tinha escolhido. Isto é estranho, eu sei, mas a verdade é que eu já não me lembrava do calor assim mais a sério, é que na ilha também há bom tempo mas é diferente, o calor não tem o mesmo cheiro (eu juro que existe um cheiro característico!) e o sol não é verdadeiramente quente. Aliás, achei que ia viver bem um verão sem praia nem piscina e chego aqui e penso que isso é uma péssima ideia e que eu devia arranjar qualquer coisa para Setembro, pelo menos. Que isto de esperar pelo verão noutro hemisfério não foi das melhores ideias que já tive, não. Ainda por cima, agora estou aqui a fazer um relatório com vista para os meus vizinhos na piscina e uns quantos almoços nas varandas e terraços aqui à volta. Dá-me vontade de ir lá perguntar-lhes se eles fazem ideia do privilégio que isso é. Uma pessoa vai atrás dos sonhos por este mundo fora para regressar e perceber como a qualidade de vida está do outro lado da janela, no sítio de onde partiu.

terça-feira, 9 de junho de 2015

A melhor viagem

Por muitos sítios que conheça, a melhor viagem continua a ser o regresso a casa. Vou cumprir a tradição de comer amêijoas à bulhão pato no dia dos meus anos, vou voltar aos arraiais de Santo António, matar saudades de caldo verde e até comer sardinhas (coisa de que nunca fui grande fã, confesso), porque tradição é tradição. Vou passear na feira do livro e estragar o orçamento, comprar pastéis de Belém e tomar a bica com uma bola de Berlim na pastelaria do bairro, mesmo que toda a gente saiba que as melhores bolas são as do Guincho (ou pelo menos o meu eu de 4 anos acha que sim. e o meu eu actual também...). Emigrante tem direito a todos os clichés. Apesar de não poder aproveitar a pátria como se estivesse de férias (o trabalho vai ter de ir atrás), vou estar em casa com a minha gente no melhor mês do ano (e há lá sítio mais bonito do que Lisboa em Junho?). Vou buscar roupa de verão (que aqui também há disso, ou kind of) e rechear a mala com coisas da pátria que hei-de promover entre os amigos de cá (fico à espera de uma condecoração do Cavaco pelos meus serviços de marketing).
Agora, vou a caminho do meu lugar à janela, ritual que faço questão de manter desde que sou emigrante. Porque gosto de saborear cada regresso por mais vezes que voe e porque não há aterragem mais bonita do que esta. Até já, Lisboa!

domingo, 7 de junho de 2015

Então, Agnes, que tal esse Domingo?

Nada mau. 11h da manhã e estou há quase uma hora a dizer a mesma frase para uma câmara (portantos, 4 segundinhos de vídeo). O outreach é muito bonito e vai ser giro ter uma data de caras a dizer olá, [resto da frase de promoção] na sua língua mas já me dói a cara de fazer aquele sorriso 23 quando digo "olá". Temo chegar a Lisboa e a seguir ao olá vir a frasezinha...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Esta coisa da liberdade

Uma vez ouvi um milionário dizer que não era o dinheiro que lhe trazia felicidade mas sim a liberdade que este lhe proporcionava. E acho que só há pouco tempo percebi verdadeiramente o significado de tal afirmação. Apesar de (infelizmente) não me ter saído o euromilhões, sou hoje uma mulher mais livre do que alguma vez fui. E se isso começou por ser um pensamento aterrador (afinal, por onde começamos quando temos o mundo inteiro como opção?) não há sensação mais libertadora do que nos sentirmos a caminho do que somos.


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Oh, the irony!

Gosto como agora o Jesus é um alto conhecedor de bola para as pessoas do outro lado da 2ª Circular. E já não faz mal que ele não saiba falar porque afinal está ali é para pôr os outros a jogar futebol e ganhar títulos. Gosto de ver como os sportinguistas que conheço, que se acham tão superiores e tão mais dignos que os adeptos de outro qualquer clube agora vêem Jesus como o seu salvador (pun intended). 
Atenção, eu não sou pessoa que ligue muito ao desporto rei, confesso. Gosto quando o Benfica ganha, quero arranjar uma camisola mas não acompanho cada jogo nem sei de cor os nomes dos jogadores. Mas já me começa a irritar o grupo de sportinguistas que cresce na internet e no meu Facebook. E não tenho paciência, a sério. Começo quase a ter saudade dos adeptos do Porto, que ao menos só vêm com a conversa que ganharam mais títulos nos últimos anos (o que sempre são factos) e não têm qualquer tipo de pretensões de serem os mais "bem" entre os adeptos. É que eu cá não me importo de ser do clube "do povo", que afinal eu só tenho os sapatos da Kate, não sou propriamente aspirante a rainha. Agora acho que um treinador que conjuga mal os verbos vai ficar muito mal no vosso clube super chique!

Aviso à navegação: Eu não tenho problemas com o Sporting, o Porto ou com qualquer outro clube e os seus respectivos adeptos. Eu não sei nem gosto o suficiente de futebol para discutir seja o que for com ninguém. Mas tenho problemas com o pessoal que tem a mania da superioridade. E sim, sei que eles existem em todo o lado mas começo a perguntar-me por que raio têm de existir tantos no meu Facebook.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

é-se sempre criança na feira do livro

Hoje acordei com vontade de ir à Feira do Livro. Apetece-me passear pelo parque e ter uma imensidão de livros na minha língua, que isto de comprar pela Internet não é a mesma coisa. E depois há todo o reviver da experiência, que lembra o início das férias de verão e o reabastecimento de stock de livros para ler antes de começarem as aulas. Acho engraçado como para a grande maioria das pessoas que conheço a ida à Feira do Livro é uma velha tradição, uma extensão da infância, onde quase que sentimos que vamos ali comprar mais um livro da colecção "Uma Aventura", mesmo que já tenham passado décadas desde a última vez que lemos um. Talvez a Feira do Livro me traga um bocadinho desse sentimento. Mesmo que a feira da minha infância tenha sido a de Cascais, a verdade é que aprendi a gostar da de Lisboa e desde que "cresci" que passou a ser minha feira. Os livros "Uma Aventura", esses, foram comprados no Jardim Visconde da Luz, com direito aos verdadeiros gelados do Santini e a pulseiras de missanga compradas nas ruas da vila. Nunca voltei a comprar um livro na feira em Cascais, mas quando um dia tiver filhos gostava que as suas colecções se iniciassem ali, com um gelado de baunilha e chocolate e direito a uma volta nos baloiços do jardim ao pé da casa da minha avó.