quinta-feira, 9 de abril de 2015

Nós e eles

Se há coisa que não entendo é o espírito do "nós" versus "eles" em relação aos estrangeiros. Ou o racismo. Ou qualquer outra forma de discriminação. Talvez porque eu própria seja emigrante. Talvez porque tenha sempre trabalhado com pessoas de todo o mundo e isso tenha sido o meu "normal". Ou talvez por ontem ter tido uma reunião com um representante de cada país da Europa que me fez sentir numa espécie de Eurovisão e onde me apeteceu dizer "e os 12 pontos são para a Hungria!". É certo que as crises trazem sempre o bicho papão da emigração que rouba os recursos dos locais para dar aos estrangeiros, qual Robin Hood, mas há que ter um bocado de senso comum (e, já agora, 2 dedinhos de testa). I'm talking to you, Britain. Vocês precisam de esquecer essa coisa de que as pessoas só vêm para cá por causa do vosso sistema nacional de saúde. E dos benefits. Vamos ter calma, que vocês não são a última coca-cola do deserto. Há vida fora da ilha. E isto aplica-se a tantos outros sítios, com a superioridade das raças, das nacionalidades, essa coisa que francamente me enoja e me faz lembrar o nazismo e a sua busca pelo perfeito ariano.
De todos os "nós versus eles", só posso ter pena. Porque nunca se devem ter sentado a uma mesa de almoço com pessoas de todo o mundo e percebido como somos mais parecidos do que achamos. Ou sentir a generosidade e a amizade em tantas línguas e tantas formas que não cabem na fronteira do vosso país. Porque se assim fosse, não iriam aceitar propostas que queiram rejeitar pessoas por terem nascido na Índia, ou no Paquistão, ou na Roménia, ou noutro qualquer sítio. Porque elas deixariam de ser apenas mais um ponto no mapa. Aliás, cada vez mais acho que quanto mais mundo se conhece menos se consegue discriminar. Mas se calhar sou eu que sou idealista.

2 comentários:

  1. Pelo que sei (que pode não ser muito mas que podes ajudar a esclarecer) o sistema de saúde em Inglaterra não é especialmente melhor que o nosso pois não?

    ResponderEliminar
  2. Não, eu diria que é bastante semelhante, e arrisco-me a dizer que temos melhores médicos. Contudo, talvez aqui tenham menos listas de espera.

    ResponderEliminar