quinta-feira, 12 de março de 2015

Londres

Acordei às 5 da manhã e apanhei o comboio às 6. Gosto de partilhar a carruagem com as várias pessoas de fato que escrevem furiosamente nos seus computadores enquanto bebem o seu café do Costa e espreitam as gordas do jornal. Gosto de chegar a Londres com o sol do início da manhã, quando a cidade começa a acordar para mais um dia. Fico contente por chegar antes da multidão e ter um lugar para me sentar no metro, observar as pessoas, ver que livros lêem, que notícias chamaram a sua atenção no jornal. Adoro manhãs, adoro mesmo! Não tenho paciência para me encostar à direita e subo as escadas rolantes até sair do metro, sento-me no primeiro banco que encontro e troco as sabrinas pelos saltos, bebo o café da praxe. Quando aqui não venho acho sempre que podia mudar de país, podia ir para França (mas há lá tantos franceses, valha-me deus), podia ir para a Alemanha, que durante tanto tempo foi a minha primeira ideia enquanto tirava o curso, podia viver em quase todo o lado, que uma alma nómada como eu é mesmo assim. Mas depois chego a Londres (e à minha casa de sempre, Oxford) e penso, caramba, eu gosto mesmo desta ilha. Gosto do sotaque, que tenho sempre vergonha de fazer em Portugal ou com amigos estrangeiros porque parece que nos estamos a armar aos cucos mas que aqui me sai naturalmente. Gosto das piadas que perfeitos desconhecidos fazem nos transportes (embora não tão comum em Londres, onde ninguém fala com ninguém). Gosto das livrarias, das casas de tijolo avermelhado, do "hi, are you alright?", dos pubs, das salt and vinegar crisps, de como os britânicos conseguem ser ao mesmo tempo "put together" e acessíveis. Gosto de como aqui me sinto em casa, coisa que nunca senti na Holanda. Talvez seja uma química qualquer que sentimos pelos sítios, tal como sentimos pelas pessoas. E por isso, desta vez, antes de entrar novamente no metro e vir para casa, abrandei o passo na London Bridge. E dei por mim a pensar que não sei se vou ficar feliz a ter de me ir embora em Setembro, que gostava mesmo de encontrar um trabalho interessante na capital (mandar às urtigas os sonhos de carreira na área A, B ou C, que, guess what, não passam por esta cidade), conseguir pagar o preço exorbitante que aqui pedem por um mísero T1 e mudar-me de armas e bagagens para a melhor capital de sempre. O meu eu de 12 anos ia delirar este com este plano (e eu também!). E podem vir os meus amigos dizer "ah mas por que raio queres tu viver em Londres? blablabla qualidade de vida é aqui a norte blabla muito caro blablabla". Cansei de explicar.


7 comentários:

  1. Com certeza que não conheço com o pormenor que tu conheces, mas também tenho um fascínio tão grande por Londres. A minha aventura por lá durou apenas três meses, mas foram sem dúvidas dos (senão mesmo os) melhores da minha vida.

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  2. Olha que se calhar até conheces mais! Eu nunca vivi mesmo em Londres, só vou lá por alguns dias. É uma cidade espectacular, aposto que os 3 meses foram únicos :)

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  3. E eu que nunca fui! Mas desde que fiz uns cursos de inglês em fascículos, com cassetes e livros (da era afonsina, portanto! :P) e um dos módulos era uma visita guiada (virtual) pela cidade, que fiquei com vontade de ir realmente. Há-de ser um dia destes :D

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  4. Oh, tens de vir! Se ainda aqui estiver faço de tua guia :)

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  5. Muda-te. Só se vive uma vez, dá-te esse presente.

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  6. Até Setembro estou aqui sugadita que tenho casa até essa altura. E depois disso, vai depende muito do próximo emprego. Não dá propriamente para ir para Londres só porque sim (fica longe e caro fazer Midlands-Londres em commute diário). E mudar para lá... a fazer o quê? Não tenho jeito para cantar senão ia para o West End como a tua homónima Sofia Escobar ;)
    Mas percebo o que dizes e ando a ver, investigações, muitas investigações!

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  7. Investiga ;) e não adies mais, há coisas que só fazem sentido numa determinada época da vida, e devias aproveitar. Com certeza que tens que ter emprego e dinheiro pra pagar os horrores de fortuna das casas de Londres :)

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