domingo, 22 de fevereiro de 2015

Awkward days.

Tive a triste ideia de entrar numa loja de noivas, já em desespero por não encontrar nada numa loja "normal". Aliás, duas lojas de noivas (porque uma desgraça nunca vem só). Numa delas achei que iria cegar com tanto brilhante e tule branco e noutra dei de caras com um mundo assustador de rendas e cetim onde 90% dos vestidos eram maiores do que eu. Acho que nunca me senti tão deslocada de um sítio como ali.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Outra vez a caminho

Não sei como explicar a minha imensa alegria sempre que faço as malas para voltar a Lisboa. Não é um ter saudades no sentido dramático ou nostálgico do termo, mas é tão bom pensar que amanhã vou jantar em casa e vai haver bacalhau a sério e notícias em português como ruído de fundo. E vou ter o pão que gosto para o pequeno almoço e um café à beira-rio e amêijoas só porque sim. É por isso que começo a fazer a mala com antecedência, porque me dá imenso prazer saborear o regresso a casa, aos bocadinhos, hoje uma camisola, amanhã um livro para ler na viagem, passo a passo. Desta vez, só há mala de cabine e algumas dores de cabeça para enfiar tudo NUM saco (obrigada, easyjet), logo eu que adoro ter a carteira separada do resto, mas tetris is my life por isso cá me irei arranjar. Tenho o discurso apenas semi preparado, que isto de ser best man em versão feminina é mais complicado do que parece, e espero que a viagem de avião me inspire para aterrar em Lisboa com um rascunho aceitável. O vestido já está pendurado à minha espera e tenho uma semana para encontrar uma clutch (olhem para mim a usar termos técnicos!) e um casaco. E gostava muito, muito mesmo, de encontrar um "chapéu" deste género, mas não tenho grande esperança.




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

5 km com 5 graus

Levantei finalmente o rabo do sofá (neste caso da cadeira do escritório, que sofá é coisa onde não me sento há algum tempo) e fui "correr" (na verdade, mais andar, daí as aspas) ao parque que há ao fundo da rua. Sol e 5 graus pareceram-me uma combinação perfeita para calçar os ténis e estrear o casaco de corrida que comprei para me motivar (e aquecer) e assim que passo o portão não deixo de ficar surpreendida com a quantidade de pessoas que lá estavam! O parque infantil estava cheio, imensos cães atrás de bolas na zona de relva, vários corredores na zona alcatroada, imensos carrinhos de bebé e até pessoas a ler nos bancos. O que não faz um dia de sol nesta terra! Mesmo que o feels like estivesse ali a rondar os 3 graus, o dia estava lindo e a temperatura não impediu que as pessoas aproveitassem o imenso manto verde que que a cidade tem para oferecer (são 48 hectares de parque!). E há imensos recantos, com pequenos jardins mais resguardados, pequenos lagos, mesas de piquenique, parque para bicicletas e skates, o óbvio parque infantil, um café... tudo mais ou menos plano e com a sensação de área "aberta", o que o distingue do Estádio Universitário, o meu spot em Lisboa. Já tinha ido ao parque mas só ontem o olhei mesmo a sério e senti uma paz imensa enquanto lutava para chegar ao fim dos 5 quilómetros. (Hoje dói-me tudo).

Não quis fotografar zonas onde estivessem pessoas, que eles são muito coisinhos com isso (especialmente se eu desatasse a fotografar a zona infantil, que estava à pinha!), mas aqui fica um cheirinho do meu novo spot



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Agnes, a agente de viagens

Acabei de fazer um itinerário de Londres para a Páscoa que se aproxima. Foi a viagem mais difícil de planear porque eu quero mostrar TUDO aos meus amigos e só tenho 3 dias para lhes provar como esta é a melhor cidade do mundo (ok, NYC é NYC). Se esta lista interminável que tenho para cada dia for mesmo possível de realizar, prometo que ponho os detalhes aqui no blog, com restaurantes e tudo (uns são os melhores de sempre - my 2 cents only, outros vou experimentar pela primeira vez), tendo em atenção que será sempre um roteiro super turístico porque quem não conhece quer sempre ver a santíssima trindade (Big Ben, Buckingham Palace, Piccadilly) e não podem faltar os básicos Downing Street, Notting Hill, Harrods ou Camden Town. Apesar de tudo estou aqui entusiasmadíssima e mal posso esperar que chegue o último fim de semana de Março!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Class of 2005

Vi por acaso as fotografias do Carnaval da minha antiga escola (evento que eu sempre detestei) e percebi como o meu ano já é vintage e fica perdido numa lista de cartazes e temas recordados nas celebrações deste ano. Afinal, foram 10 anos. 10 anos desde o baile de finalistas, a tradição mais enraizada na escola, com direito a valsa coreografada e ensaiada 3 meses antes até à perfeição (ou direi exaustão?). Ainda hoje sei os primeiros 3 ou 4 passos e consigo ouvir o "UM, dois, três... UM, dois, três" da ensaiadora, assim mesmo com ênfase no UM). Com alguma competição de uns anos para os outros, a valsa era o momento alto da noite e, sendo totalmente imparcial (cof cof) a nossa foi a mais bonita de todas as que vi na era pré-2005. Class of 2005, acreditam que vai fazer 10 anos em Março? Quantas vidas se passaram desde o "um, dois, três"? Muitas. Mas esta continua a ser a melhor das valsas e se eu fechar os olhos consigo voltar a Março de 2005 e aos meus 17 anos.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Inglaterra, os feriados e as apostas

Descobri no feed do Facebook que o Carnaval está à porta e eu não fazia ideia. Nunca foi data de que gostasse particularmente, verdade seja dita, mas aqui em Inglaterra é evento que passa despercebido (não sei como é nas escolas, por acaso, mas ainda não vi pequenas pessoas a passearem quaisquer máscaras...). Feriados agora só em Abril, com a Páscoa, que traz sempre a sexta e a segunda de folga. Não temos o dia do trabalhador nem qualquer feriado semelhante ao Queen's Day na Holanda ou ao dia de Portugal. Gosto que, caso o feriado seja um sábado ou domingo, o mesmo seja "celebrado" na segunda feira seguinte, é muita generosidade por parte da Lizzie. E por falar em Lizzie, acho imensa piada quando a grande questão nacional passa a ser se há ou não feriado quando nasce um novo príncipe, já que no dia de casamento do William e da Kate houve "ponte" e o povo gosta é de um dia de folga, ora pois claro. Claro que logo a seguir vêm as apostas, que isto é pessoal que gosta de apostar se é rapaz, se é rapariga, qual o nome e por aí fora, qualquer tópico serve e, por exemplo, nas questão dos nomes há opções mais "valiosas" que outras. Assistir a tais discussões é simplesmente genial! Sempre a aprender como funcionam as coisas pelo Reino.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

As datas

Gostava de me lembrar de algumas datas e poder esquecer-me de outras que teimam em ficar marcadas na memória.  Não que as datas por si só tenham o dom de nos fazer mais ou menos tristes mas às vezes preferia não ter que me lembrar. Mesmo que olhe e devesse dar a mim própria um pat on the back por tudo o que consegui. Será que um dia deixamos de nos lembrar das datas que nos magoam?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Selma


Enquanto via o filme, para além do horror, só me ocorria um pensamento: como é possível que tudo isto tivesse acontecido no país que nessa mesma década pôs um homem na lua?

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Associações... literárias?

Entrei na Waterstones cá do sítio naquela de ver as novidades. Claro que saí de lá quase 1 hora depois, um exagero. Adoro tudo, desde os óbvios livros aos jogos, aos cadernos e outro material escolar. Era mulher para comprar um de cada, o que não faria bem à carteira nem às caixas de uma futura mudança (sim, eu penso sempre nisso). E depois, numa daquelas associações parvas que o meu subconsciente faz, fiquei a pensar.. E se eu sair da ilha e voltar para a Europa? (notem que agora também digo Europa, como se eu na verdade vivesse na Ásia... não estou orgulhosa desta minha nova característica, adiante). Onde vai estar a minha Waterstones cheia de coisas giras e em inglês, ainda por cima disponível a 5 minutos de casa e em qualquer esquina por este país fora? Sempre tive em mim este espírito nómada, que muda de morada quase como quem muda de camisa, mas gosto desta ilhota e dos seus habitantes, sinto-me em casa. E pela primeira vez desde que cheguei caiu-me a ficha: Setembro pode-me mesmo trazer outra casa, noutra língua, sem Waterstones. E tive saudades.


Cambridge

Ou somos Cambridge ou somos Oxford, não há outra opção, é uma camisola ou outra. É uma constante disputa pelo número de prémios Nobel, primeiros-ministros, condecorações e boat races. Eu sou team Oxford, mas esta semana fui ser turista em Cambridge. Estava quaaaase com medo de gostar mais e vir a dar razão a quem diz "ah mas Cambridge é mais fofinho", mas afinal não há razão para alarme, pessoas, Oxford dá 15 a 0, é que é 15 a 0! Claro que há partes giras em Cambridge (gostei sobretudo dos cafés e das lojas de doces e chocolates), sim senhor. Aqui ficam algumas fotos para recordar o dia de chuva e neve à mistura (acho que Cambridge sentiu que eu era "dos outros" e tentou retaliar). Tenho de voltar num dia de sol para me aventurar no punting, mas com um "profissional" a remar, que não quero repetir as memórias traumáticas do punting em Oxford...











Perguntam-me muitas vezes se  não estou farta de dias cinzentos e se não está sempre a chover. O que me chateia mesmo é haver dias com esta luz quando não chove, onde não há sol nem há nada, só este tom esbranquiçado, que deixa tudo baço. Faz-me falta a luz e a cor, por isso é que agora aproveito cada dia de sol que por aqui existe. O azul de Lisboa, esse é que não existe em mais lado nenhum, e às vezes faz-me falta. Por isso, e à falta de melhor, fui tirar a fotografia da praxe, e visitei Portugal sem sair de Inglaterra. Tão bom.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Estrangeiro em toda a parte








Sentirmo-nos mesmo estrangeiros é o que acontece quando vivemos num sítio e percebemos que não lhe pertencemos. Tudo é diferente, desde a formiga mais microscópica até ao monumento mais gigantesco. Não percebemos a razão por que as pessoas dizem certas coisas, mesmo quando já aprendemos a língua razoavelmente. Até podemos conseguir comunicar um conceito bem complexo na nova língua, mas naquela pequena cavaqueira engraçada à mesa do café há muita coisa que nos escapa. Sentimo-nos desesperadamente sozinhos quando ficamos excluídos do tipo de conversas que começam com “lembras-te quando…?”. Carregamos uma vida inteira de histórias não-partilhadas. Não é assim surpreendente que os estrangeiros tendam a reunir-se, quando estão no país que não é deles. Podem comungar no facto das suas histórias não-partilhadas.