Sinto calafrios quando alguém diz "eles é que os provocaram". Quando defendem que não se brinca com a religião A, B ou C, ou com qualquer outro tema que alguém considere ofensivo. "A minha liberdade termina quando começa a do outro", e é verdade, mas um cartoon não é uma notícia, não é uma verdade, é apenas e só uma sátira. E isto é válido para muçulmanos, para políticos, e até para mim, se eu fosse uma pessoa conhecida e um possível alvo de um jornal humorístico. Se os desenhos têm piada, se são provocadores, se iria alguma vez comprar ou não ou jornal, isso pouco importa. O que para mim importa é que os humoristas possam trabalhar e desafiar a sociedade sem receio de que as susceptibilidades feridas os tornem em vítimas de qualquer atentado. Por isso, quando me falam que há limites e que há coisas com que não se brinca, eu não consigo deixar de pensar no meu bisavô, um homem que fez das palavras a sua arma e que foi várias vezes preso porque havia alguém que também achava que havia limites para o que se escrevia. Não há sátira política e social que seja politicamente correcta e, quando se começar a limitar o que é dito, surge a questão: qual é a fronteira? Imponho a minha visão do mundo aos outros e proíbo-os de satirizar o que eu acho ofensivo? Ora os limites, esses, deveriam ser os valores de cada um, nunca o medo, nunca a censura.
Olá, Gostei muito do teu blog e em especial deste post!
ResponderEliminarTens uma nova seguidora :)
Olá e bem vinda :) beijinhos
ResponderEliminarConcordo a 100%. Mais do que terem matado 12 pessoas, acertaram bem em cheio naquele que é para mim o valor mais basilar da nossa sociedade democrática. É por isso que nem consigo perceber o porquê da discussão acerca do conteúdo da revista. Eu não conheço a revista, não sei o que pensam ou o que dizem/desenham... Mas hoje mais do que nunca #soucharlie e estou aqui só para garantir que podem ter matado aquelas 12 pessoas mas nunca nos vão calar!
ResponderEliminarCompletamente de acordo. Se há coisa que me mexe com os nervos é a censura.
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