sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os macacos

Não ia escrever nada acerca do marketing e das bananas e das campanhas. O racismo é uma coisa que não compreendo, o facto de se ser melhor ou pior por causa da cor da pele, da cor dos olhos, da nacionalidade, do clube, do credo ou do sítio onde se mora é coisa para me tirar do sério. Porque se há coisa que me tira do sério é a injustiça, seja ela qual for. E é por isso que me faz impressão não se poder dizer "preto", porque afinal eu digo "branco" e "preto", tal como digo louro e moreno, alto ou baixo, magro ou gordo (mas também não se pode dizer gordo, por isso estou bem tramada). Acho muito bem que se fale da não discriminação, que não é comer uma banana e postar no Facebook como se é tão tolerante porque até se tem amigos de outra cor. Mas depois começa a fazer-me comichão o passo seguinte que as coisas acabam por tomar, como no caso das mulheres nos cargos políticos, ou nas empresas de engenharia. Que fica bem ter x% de mulheres, no board de directores ou no parlamento. E depois ficará bem ter y% de pretos e z% de pessoas às bolinhas. E são estas quotas e estas "discriminações" que também me incomodam. Porque ninguém devia ser preterido por causa da cor da pele ou do género que tem. Mas, de igual forma, ninguém devia ser preferido por isso. E é por isso que espero pelo dia em que não seja assunto discutir se o presidente dos Estados Unidos é branco ou preto, homem ou mulher. O dia em que as "diferenças" não sejam um issue. No fundo, o dia onde apenas conte quem nós somos e o que somos capazes de fazer.

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