sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

David Mourão Ferreira

Conheci David Mourão Ferreira através de uma amiga. Ouvi-lhe contar histórias dos tempos em que foi sua aluna e foi com ela que ganhei o hábito de recolher (e decorar) poemas, não só dele mas de outros autores. Já chego atrasada, ele faria 87 anos no passado dia 24, mas estou sempre a tempo de incluir aqui um dos poemas que mais gosto. Talvez seja um poema triste, sim, mas a poesia acaba por me chamar mais a atenção quando é sofrida. Deve ser porque eu própria só sinto necessidade de escrever quando estou mais triste. Ao David Mourão Ferreira, obrigada pela obra.

PARAÍSO

Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu oiça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do paraíso.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

As portas e as janelas desta vida

A minha mãe diz-me muitas vezes (se calhar para me consolar) que o que é nosso a nós volta ou vem ter. E que se por acaso algo mudar ou não correr como esperávamos é porque há outra coisa melhor à nossa espera, mesmo que agora não o vejamos. Isto se calhar é apenas uma frase bonita que se diz aos filhos, ao género de "quando Deus fecha uma porta abre uma janela", mas gostava de acreditar que é mesmo assim. Só tenho pena que a vida não possa ser como os policiais que eu lia quando era pequena e onde às vezes fazia batota e ia ao fim ver quem era afinal o assassino. É que vou ter mesmo de esperar para ver o final e não saber uma coisa é algo com o qual me é difícil viver.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Agnes no país da Agatha Christie

A Agatha Christie é a mais famosa residente de Wallingford, uma pequena aldeia perdida no South Oxfordshire. Se há autora de quem já li praí 95% dos livros é ela (algures na faixa dos meus 12-14 anos limpei todos os Poirot), por isso já há algum tempo que queria visitar a vila, tirar a foto da praxe na casa onde ela viveu e visitar o cemitério onde foi sepultada. Este sábado esteve sol, por isso foi finalmente o dia.
Wallingford é uma aldeia, vê-se bem em poucas horas. Tem o ar pitoresco do campo inglês, uns restaurantes e pubs simpáticos para almoçar e, para fãs da escritora, é interessante conhecer o sítio que lhe serviu de inspiração à obra. Ficam as fotos.

A praça principal


St Mary-le-More Church


St Peters Bridge


O Tamisa a transbordar


O pub do almoço


A casa da Agatha Christie, com a famosa placa azul (não se vê bem da rua, têm de ir atentos e espreitar para dentro dos jardins das pessoas, o que pode ser uma actividade meio estranha, verdade)


Adoro caixas do correio e achei que esta fotografia ficava bem aqui


Tal como esta, acho que são as cores


Para acabar o passeio, passámos pelo cemitério. De notar que já não fica em Wallingford mas sim em Cholsey, que é outra vila a seguir. Não é longe (e encontrei algumas walking tours que o incluem nos percursos a pé), mas fomos de carro porque era a nossa última paragem.
 


Agora é pensar no próximo destino aqui na ilha.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Não sei se são tréguas

Mas hoje às 6 da tarde ainda havia luz (por oposição à habitual escuridão total) e não precisei de gorro nem luvas. Juro que me senti na Primavera.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A meteorologia contra-ataca

Uma pessoa (eu) quer apanhar amanhã um comboio em direcção ao Norte e está a ver a vidinha a andar para trás. Tudo aqui pelo Sul está, digamos, alagado. Não adianta ir até outra cidade aqui à volta (ou não tão à volta assim) para apanhar o transporte para o troço seguinte, que haverá sempre um problema. Londres? Cancelamentos e atrasos. Dar a volta ao bilhar grande, leia-se, ir por Bristol? Cancelamentos e atrasos (como??). Tenho andado a pensar em alternativas de trajecto mas não me parece que tenha muita sorte. Vou ter de gramar os atrasos em Oxford, provavelmente vou mudar 500 mil vezes de comboio e quando chegar, cheguei. Espero que seja amanhã!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

The leap



"I'd love to go back and be that person again. But, you can't move backwards. You can only go forward.
 False. You go wherever you want. I guess the question is: where do you want to go".

Às vezes só é preciso a leap of faith. E eu decidi dar o meu.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Perspectivas

A vantagem de ter estado no fim do mundo em formação durante 3 dias é que hoje me parece 2a feira, quando na verdade já é 5a. Há lá coisa melhor do que uma semana de 2 dias?

Ainda há mar

(D. Sebastião aparecerá numa grande nau
por detrás do Ilhéu em Vila Franca do Campo)

Ainda há naus e viagem algures em nós
Ainda há mar
Ainda há naus para chegar ao outro lado
Lá onde só se espera
O inesperado

Talvez um dia por detrás do Ilhéu
Do meio da mágoa e da neblina
Porque ainda há viagem e Taprobana
Ainda há naus para passar
Além do tédio e da rotina

Ainda há mar

Ainda há naus para a abstracção
Matemática dos astros e dos ventos
Navegação do mito e seu teorema
Ainda há mar

Ao menos no poema

(Manuel Alegre, Atlântico)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Mais um da bucket list

Finalmente consegui comprar bilhetes para visitar Highclere Castle, famoso por servir de cenário à série Downton Abbey! Sempre que ia ao site estava tudo esgotadíssimo, por isso acho que até dei pulinhos de felicidade quando vi o anúncio da venda bilhetes para o verão. Se forem fãs da série e estiverem por Inglaterra entre 13 de Julho e 17 de Setembro aproveitem e reservem já (parece-me que há muitos dias já esgotados). Go, go, go!


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Tanto sítio giro nesta ilha

E vou em trabalho para o fim do mundo. Mas troco de comboio em Londres, claro, para dar um cheirinho de um sítio que dava um bom destino mas afinal é só uma 'escala'. 3 dias. Argh, como eu odeio jantar sozinha em restaurantes de hotel... mais vale pensar que são só 2 noites.

Novas leituras

Comecei a ler o Mein Kampf. Tenho imensa curiosidade em perceber melhor como se formam ditaduras, regimes opressivos e toda a psicologia (loucura?) que se esconde neste género de movimento de massas. Aliás, a segunda guerra mundial é um tema do qual gosto sempre de saber mais, em geral. Claro que este não é um livro que possa levar para o comboio (então aqui em Inglaterra!), vou ter que o ler em casa e escondê-lo algures na estante. Aliás, sinto-me quase a cometer alguma ilegalidade, o que é parvo mas verdadeiro. Entretanto vou ter de encontrar um livro que possa mostrar em público, que esta semana esperam-me algumas viagens no national rail.