quarta-feira, 31 de julho de 2013

As tias desta vida

Pois que primeiro foi a Pepa. A moça de sotaque afectado que queria uma mala Chanel e que foi crucificada em praça pública. Como já disse, não achei mal nenhum a rapariga querer uma mala. Seja fútil, seja o que for, era UM dos seus desejos, para este ano, para os próximos anos, não me interessa, o dinheiro é dela e, se pode, porque não? (um dos meus desejos também era viajar mais, peço desculpa se é uma coisa demasiado mundana, foi o que se pôde arranjar). Sim, a crise existe, bateu à porta de muita gente que conheço e ninguém sabe o que faço ou deixo de fazer para minimizar alguns dos seus efeitos, mas a hipocrisia que se instalou é coisa para me tirar do sério. Ninguém pode mostrar que ainda pode jantar fora (mesmo que seja só daquela vez, mas toda a gente vai reparar que se foi daquela vez), ir de férias a qualquer sítio ou comprar um vestido novo. Vejo isso nos blogues "devias ter vergonha de postar isso quando há muita gente que não pode", o que sinceramente não é argumento... Agora, a pérola de brincar aos pobrezinhos... Nem acho que seja de pessoas sem noção da realidade, acho que é mesmo falta de respeito. Por quem tem de trabalhar para viver e por quem tem de viver sem trabalhar. Como se tudo não passasse de uma brincadeira onde a qualquer hora podemos decidir trocar os papéis e pronto, assunto resolvido. Mas claro, se não fossem os pobrezinhos a quem é que se fazia caridadezinha no Natal para depois aparecer nas fotografias da Caras? Nojo, muito nojo.

3 comentários:

  1. Concordo com a parte das tias. Mas também concordo taaaanto com a parte de que hoje em dia não se pode viajar nem fazer nada que implique gastar dinheiro que parece que nos olham como se fossemos criminosos. "O quê, ainda tens dinheiro para gastar? Devias ter vergonha!". Enfim...

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  2. Eu nunca vou entender o "devias ter vergonha de gastar quando há pessoas a passar fome" da mesma forma que não vou entender o fazerem-se de coitadinhos... acho que o excesso de dinheiro (ou a falta dele) levam as pessoas a terem comportamentos muito despropositados.

    Beijinhos grandes

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  3. Meninas, haja quem me compreenda. Beijinhos

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