quinta-feira, 11 de abril de 2013

Voltei a ter 11 anos

Há uns dias vi no Público uma reportagem sobre o Postcrossing e decidi espreitar o projecto. Para quem não conhece, é um site onde se podem inscrever gratuitamente, requisitar um endereço de uma pessoa algures no mundo para quem deverão enviar um postal e depois aguardar a recepção do postal que alguém ficou responsável de vos enviar. Isto pode parecer coisa de maluquinhos, a avaliar pelos olhares de espanto que recebi perante o meu entusiasmo pelo projecto, mas a verdade é que eu tenho um carinho enorme pelo correio com papel e caneta. Tudo começou quando tinha 11 anos e decidi aventurar-me no mundo dos penfriends. Trocava cartas com pessoas de todos os cantos de Portugal e até de outros países (Coreia do Sul, México, Irlanda, Áustria, Bélgica), o que me valeu bastantes horas a escrever durante alguns anos, recortes, postais de todos os sítios que os meus penfriends visitavam, e um sem fim de recordações. Com o tempo algumas cartas foram deixando de aparecer e perdi o contacto com muitos deles. Mas o mais fantástico é que tenho amigas que duram até hoje. Fomos confidentes durante anos, atravessei meio Portugal para ir aos seus bailes de finalistas ou aos anos e tive-as ao meu lado em vários momentos importantes. Vamos tomar café e jantar fora e acho que as pessoas não acreditam quando dizemos que nos conhecemos há 15 anos, por carta. Hoje temos o email, o Facebook, ou o Skype, mas continuamos a trocar postais sempre que vamos a um sítio novo. E nos anos e no Natal. Ou sempre que nos apetece. São das poucas moradas que sei de cor e não preciso de apontar na agenda. Por isso, sim, o Postcrossing tocou-me e já me inscrevi para enviar o meu primeiro postal. Acho que agora vou tentar cumprir o meu objectivo de menina e juntar postais de todo o mundo.

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