quinta-feira, 24 de novembro de 2011

à minha maneira (ou um post para corajosos)

Desde que me lembro de ser gente que mantenho caderninhos onde fui escrevendo de tudo um pouco. Primeiro foi o diário, que teve vários volumes, onde relatava pacientemente o meu dia e as minhas observações, provavelmente comuns a 90% dos diários escritos por outras meninas com a mesma idade e que teriam a mesma letra redondinha saída de uma qualquer caneta de cor com cheiro a morango. Depois veio a fase de recolha de citações e poemas de escritores de quem me tornei fã até que eu própria enveredei pelo caminho da poesia (de qualidade muito duvidosa, diga-se). Mais tarde (re)descobri a prosa. Passei a escrever pequenos textos onde falava de quase tudo mas sobretudo das minhas inquietações. Primeiro em papel, depois no computador, permaneceram guardados de olhares indiscretos e foram apenas meus. Um dia surgiu a ideia de criar um blog. Hesitei, mas passado algum tempo decidi avançar e partilhar o meu caderno com o mundo (ou pelo menos com aqueles que falam português). Descobri, no entanto, que partilhar os textos que mantinha na gaveta não era tão fácil assim, mesmo por detrás do anonimato de um nick. Ao mesmo tempo, percebi que só tinha verdadeira inspiração para escrever quando estava triste, o que tornaria este blog (ainda mais) um autêntico muro das lamentações, ali a roçar o deprimente. Por isso, e apesar de muitos textos mais derrotistas escaparem à inquisição (leia-se, ao meu bom senso) e serem lançados num post, este blog tem sido o meu escape às preocupações mais recônditas que vivem nesta cabeça. E dou por mim a falar de trapos, e das pessoas que encontro na rua, e a refilar com o trânsito ou com os senhores do metro. E gosto disso, desta escrita diferente da que mantive até aqui. Gosto de ter este cantinho na blogosfera, por onde muitas vezes nem meia dúzia de pessoas passa, mas que é meu. Longe das polémicas e dos diz-que-disse e intrigas e tudo o mais que assola muitos blogues por aí. Gosto da blogosfera no seu estado mais puro, onde cada um empresta o seu caderno para quem quiser perder 5 minutos do seu dia a ler as considerações alheias. E gosto quando do lado de lá há alguém que diz qualquer coisa, porque é isso que torna a blogosfera mais interessante do que um diário, que não nos responde. E estou mesmo surpreendida por ter 12 pessoas que se registaram ali ao lado para lerem o meu caderno de notas. Bem sei que os que leram até aqui estão agora a abanar a cabeça e pensar "pfff, 12? ridículo", mas para mim é apenas surpreendente. E quase que fico a pensar que lhes devia dar qualquer coisa mais decente para lerem. Os meus cadernos em papel? Continuam a existir. E a ter textos novos, que não publico aqui. Talvez um dia lhes tire o cadeado.


(Uff! isto ficou enorme!)

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