quarta-feira, 13 de abril de 2011

O meu blog é culto às 4as feiras (mas podia ser às 5as...)

E eis que hoje li que o Otelo está arrependido de ter feito a revolução de Abril. Dos comentários de autocarro/metro eu espero todo o género de teorias políticas e da conspiração, mas a verdade é que deste senhor esperava um pouco mais de responsabilidade nas declarações que faz. E começo logo a stressar-me com o acumular de comentários que vou ouvindo ao longo destes dias. E assim surge um post num blog que tem andado abandonado...
Tanto saudosismo pelo Estado Novo e por um pulso de ferro, tanta viragem à extrema direita (tanto desespero?). Não considero que o problema esteja na democracia (ou deveria dizer que a solução não está na ditadura?). O problema são as pessoas. Os políticos que se governam a eles em vez de governarem o país e o povo que quer um Estado-pai que tome conta deles, no fundo, um Estado onde não tenham de pensar, ser proactivos, inovar, ou mesmo trabalhar. Um Estado que assegure um futuro só porque sim. Um Estado que dê o peixe, porque não se quer ter de ir pescar. 
É que o Salazar não era só a reserva de ouro no banco. E o respeito (ou seria medo?). Era uma série de décadas de atraso em relação à Europa. Eram os direitos diferentes para homens e mulheres. Era a perseguição deplorável a comunistas e pessoas com ideias diferentes do “aceitável”. Onde não se sabia quem dizia o quê e a quem, nem que conversas seriam usadas contra quem. E sim, hoje a justiça também está longe de ser perfeita e é muitas vezes uma verdadeira vergonha mas acredito mais nela hoje do que naquela que deveria existir então. O tempo de Salazar era uma reserva de ouro no banco em troca de um país pobre, analfabeto e inculto. Era o apoio a Franco e ao seu regime hediondo. Era um país no qual eu não gostaria de ter nascido. Por isso, se Otelo está arrependido, agradeço a todos os outros que fizeram o 25 de Abril.

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