terça-feira, 15 de março de 2011

Carta aberta sobre o meu país

O meu país atravessa uma crise de meia (?) idade. Esqueceu-se que um dia foi capaz de dividir o mundo ao meio e hoje refugia-se na sua pequenez geográfica para ser também pequeno em mentalidade.

O meu país acha que tudo se resolve com uma palavrinha, uma achega, um envelope debaixo da mesa. O meu país não acredita no talento mas nas pessoas que se conhecem e nos cargos que se ocupam. Este país não é para velhos. Nem para novos. Nem assim-assim. Este país vive do chico-espertismo que se instalou  e que hoje é aceite como modo de subsistência. Mérito? Isso é para os outros, aqui só é preciso ser mais esperto do que o vizinho.
O meu país vive com um claro complexo de inferioridade. Quer ser conhecido pelos seus títulos, viaja em carros que muitas vezes não pode pagar e acha que parecer é mais importante do que ser.  O meu país quer é ser chefe e ter, não alguém que possa orientar, mas alguém em quem possa mandar. Alguém que possa humilhar. Só para se sentir melhor consigo mesmo. O meu país acha que o dinheiro pode comprar tudo, mas esqueceu-se que ele não compra a dignidade nem o respeito.

O meu país...Gostava de lhe poder dar a mão e dizer-lhe que um dia tudo vai ficar melhor. Já me perguntei, qual Kennedy, o que posso fazer por ele, mas a verdade é que já estive mais longe de acreditar que só seguindo essa solução informática caseira, que é o reboot, é que lá vamos (quem sabe, isto não fica melhor com a próxima edição?). Estou cansada de remar contra a maré. E desiludida. Eu, que acreditei sempre neste cantinho à beira-mar plantado, na justiça, na oportunidade, no valor do mérito...e tiram-me o tapete. Just like that. Estamos sempre a aprender, é o que é.

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