sábado, 17 de março de 2018

O casamento indiano

Os casamentos indianos duram geralmente uma semana mas, segundo nos explicaram, actualmente as pessoas estão a reduzir as festividades para 2 ou 3 dias (!). Assim sendo, o casamento contou com um jantar 'intimista' para cerca de 200 pessoas ("só família"!) com uma pequena cerimónia e no dia seguinte, de manhã, houve a cerimónia 'a sério'.
Vamos então ao primeiro dia. Os homens e as mulheres sentam-se em lados opostos e por causa de não estar habituada a isso, nem reparei que inicialmente me sentei no lugar 'dos homens', aliás, nem reparei que as pessoas estavam divididas! A cerimónia à noite conta com membros da família do noivo e da noiva e, segundo percebi, as pessoas dos dois lados da família, com o mesmo grau de parentesco, fazem também votos uns aos outros: ou seja, o pai da noiva e o pai do noivo, o tio da noiva e o tia da noiva....  (estão a perceber o mecanismo). Os nosso 'guias' (ou seja, os amigos do meu amigo), estiveram a explicar-nos que o casamento na Índia é visto não só como o casamento entre duas pessoas mas como o casamento entre duas famílias, daí que a família seja protagonista da cerimónia. (Peço desde já desculpa pelas fotografias tão mazinhas...)



No dia seguinte a cerimónia foi aberta a toda a vila (!) e teve toda a pompa e circunstância que se espera de um casamento indiano. Realmente, depois depois percebi porque o dia anterior tinha sido 'intimista'!
O noivo começa o dia com uma volta pela vila. Montado num cavalo e com uma banda e toda a família a acompanhar, a ideia é dançar até ao templo, onde o noivo agradece e reza por um futuro próspero.


Depois, é altura da cerimónia com toda a vila a assistir. Os noivos estão separados por um pano branco que vai subindo e descendo:


Ah, e quando digo que toda a vila está assistir....


E depois é preciso alimentar toda a gente, pois claro, eis o copo-de-água:


No final, é tradição ir cumprimentar os noivos e levar alguma coisa (não fica bem ir de mãos vazias!).


Durante todas as cerimónias, fomos estrelas de cinema e toda a gente quis uma fotografia connosco. Interrogo-me se estarei na moldura de alguém na Índia...



Claro que durante estes 2 dias também quisemos saber como funciona um casamento 'arranjado' ! Na Índia, quando sentirem que está na altura de casar, vão ter com os vossos pais e fazem uma lista de candidatos. Esses candidatos (que são da mesma casta!) são depois ordenados em função da vossa compatibilidade astrológica, assim mesmo numa espécie de ranking para um casamento feliz. Depois têm a possibilidade de conhecer os vossos candidatos (e sim, as mulheres também têm escolha) e manifestam o vosso interesse. Se os dois lados estiverem de acordo e as famílias aprovarem, o noivado é anunciado. Por exemplo, no caso do meu amigo, desde que conheceu a noiva até ao noivado foram 4 dias! Achei imensa graça porque depois tivemos as questões todas voltadas para nós, 'ocidentais': como é que as pessoas decidem casar-se? Quanto tempo é o noivado? Como é a cerimónia do casamento? E aí lembro-me de pensar que realmente, viajar torna-nos infinitamente mais ricos e conscientes de todas as diferenças (e semelhanças!) entre povos. Cliché, mas verdade.

terça-feira, 6 de março de 2018

Índia #3 - À descoberta de Aurangabad

Não fosse pelo casamento e Aurangabad nunca faria parte do meu roteiro pela Índia mas a região acabou por ser uma óptima surpresa e com imenso para ver e descobrir!
O meu amigo tratou de tudo e pudemos aproveitar a Índia com um condutor/guia que não nos tratou como turistas e dólares-com-pernas o que depois de Delhi soube mesmo bem.
Começámos o dia com a visita às grutas de Aurangabad. A entrada, como em quase todos sítios, tem uma fila para homens e outra para mulheres e toda a gente passa um detector de metais e tem de abrir a mala/mochila. Há ainda preços diferentes para turistas e locais, sendo que os turistas pagam um bilhete (muito) mais caro do que os locais.
Visitámos as grutas sem guia e pudemos deambular à vontade conforme nos apeteceu. Não é propriamente difícil orientarem-se (na verdade, não é NADA difícil) e em muitos sítios têm o espaço só para vocês - um luxo, na Índia! Estava bastante calor mesmo sendo Dezembro, por isso imagino que fazer esta visita num dia de calor a sério não deve ser o melhor dos programas...
Continuámos a visita até Bibi Ka Maqbara (literalmente 'Tomb of the lady'), uma 'réplica' mais pequena do Taj Mahal. Foi construído pelo filho do príncipe Aurangzeb em memória da sua mãe Dilras Bank Begum.
Fomos ainda a um templo (Grishneshwar) onde não pudemos levar telemóvel, máquina fotográfica ou qualquer outro aparelho electrónico pelo que não tenho registo. Mas tirei estas fotografias da internet para terem uma ideia:
(da internet)
(da internet)
Éramos sem dúvida os únicos turistas na fila e é preciso seguir uma série de rituais, como remover a camisola (se forem homem) e entrar descalço no recinto (aconselho a levarem meias - eu levei e mesmo assim dei por mim a pensar que se calhar devia ter tomado mais vacinas!). É ainda costume oferecer flores para oferecer o templo mas podem ir sem nada como nós e fazer de 'turistas'!
No próximo post vem aí tudo sobre o casamento e tudo o que aprendemos sobre o processo dos casamentos 'arranjados' (é assim que se traduz?).

segunda-feira, 5 de março de 2018

Índia #2 - Delhi

Aterrámos em Delhi a meio da manhã e fomos logo conhecer a cidade (não havia tempo a perder!). Delhi não é propriamente uma cidade amiga de quem chega com jet lag e de um sítio muito mais frio: é quente, confusa, com caos generalizado, imeeeeeensos carros e muuuuuitas buzinas!

Começámos pela India Gate, um war memorial dedicado aos soldados indianos mortos em combate durante a Primeira Guerra Mundial e conta ainda com um túmulo do Soldado Desconhecido.
E seguimos até ao palácio presidencial que segundo nos foi explicado não pode ser visitado por dentro (embora, segundo o que pesquisei, pode-se entrar nos jardins em datas específicas).
A mesquita Jama Masjid foi uma agradável surpresa - muito mais impressionante ao vivo do que em qualquer fotografia! É uma das maiores mesquitas na Índia, com um imenso courtyard onde não pode entrar calçado (e onde tive de usar uma espécie de burka mesmo levando calças e camisola de manga comprida....). Foi mandada construir por um imperador Mughal no século XVII e segundo pesquisei foi alvo de alguns ataques terroristas ao longo da sua história. Talvez por isso tenha detector de metais à entrada. Aliás, isto é uma coisa muito comum na Índia - até nos hotéis os táxis são revistados antes de deixarem passageiros, com cães a farejarem os carros e as malas passam um detector tal e qual como nos aeroportos...
Saímos da mesquita e fomos dar uma volta de rikshaw por Old Delhi- e estas foram as únicas fotografias que consegui tirar sem correr o risco de falecer. O caos de Old Delhi e e a ausência de regras faz com que seja impossível ter as mãos disponíveis para segurar na máquina fotografia. Entre as fotografias e a vida tive de optar pela sobrevivência haha.
Fomos ainda a Raj Ghat, um memorial dedicado a Mahatma Gandhi. Não sei se é assim todos os dias, mas Delhi estava cheia de crianças em visitas de estudo e fomos autênticas estrelas de cinema com toda a criançada (e não só!) a querer tirar fotografias connosco por não sermos indianos, surreal!
Terminámos o dia em Humayun's Tomb, provavelmente o highlight da visita. Humayun's Tomb é, como diz o nome, o túmulo de Humayun, um imperador Mughal do século XVI. O local é um oásis de tranquilidade no caos que é Delhi!
Infelizmente não tivemos tempo de fazer mais mas deu para ter uma ideia da cidade e ficar com a energia nos mínimos com esta recepção à Índia!

domingo, 4 de março de 2018

Voltei - e com mais um itinerário!

Não sei como é que já estamos em Março e eu nem vim aqui dizer olá mas todo o espírito de 'ano novo, vida nova' começa quando uma mulher quiser, não é verdade? E para ser em grande vamos já tratar do que ficou em falta em 2017: a viagem à Índia!
Como já disse aqui, a viagem surgiu de um convite de casamento (e quantas vezes é que somos convidados para um casamento indiano?) e portanto todo o itinerário foi feito em torno das das datas e do programa do casamento (e não necessariamente o mais optimizado). Segui o conselho da Inês e marquei através da A1 tours e não podia ter corrido melhor! No final, este foi o roteiro que seguimos:

Dia 1: Chegada  Delhi e visita à cidade.
Dia 2: Viagem para Aurangabad.
Dia 3: Visita a Aurangabad e viagem para Jalna para a cerimónia do casamento.
Dia 4: Parte 2 do casamento. Regresso a Delhi para continuar a viagem.
Dia 5: Viagem para Jaipur.
Dia 6: Visita a Jaipur.
Dia 7: Viagem para Agra e visita a Fatehpursikri.
Dia 8: Visita ao Taj Mahal para o nascer do sol. Viagem para Delhi durante a tarde.
Dia 9: Regresso a Londres.

Quanto a logística de vistos e afins, foi um processo muito simples. Podem fazer tudo online aqui: https://indianvisaonline.gov.in/evisa/tvoa.html (cuidado com os muitos links que dizem ser o 'oficial', não passam de esquemas para cobrar mais!). Julgo que demorou um dia a ser aprovado e receber a confirmação por email mas já não me lembro de quanto custou. Tirei uma fotografia com o telemóvel e serviu perfeitamente, portanto não precisam de fotografia tipo passe toda xpto. Quanto a vacinas, pelo menos aqui no UK recomendam 3: tétano, hepatite A e febre tifóide. A do tétano tinha em dia e havia shortage da vacina da hepatite A (!) portanto só tomei a da febre tifóide (notem que este pessoal não sabe dar vacinas e para a próxima acho que voo para Portugal ou procuro um centro de saúde com enfermeiras portuguesas, valha-me deus!). Em relação a seguro, fiz um na World Nomads, como quase sempre. Nunca tive de usar portanto não sei se é bom, mas parece-me ter sempre coberturas boas por um preço razoável.
Vamos então à viagem em si - vai já a seguir nos próximos posts! Stay tuned!