sábado, 20 de agosto de 2016

(O muito atrasado post acerca de) Bremen

Uma pessoa muda-se para Bremen e sai de Bremen e nunca faz um post decente acerca da cidade. É hoje o dia de colmatar esta falha e mostrar ao mundo (ou seja, às 3 pessoas que lêem esta página) como Bremen até uma cidade fofinha (e especialmente no Natal, embora eu seja suspeita porque adoro os mercados alemães!). A juntar a isso, Hamburgo fica logo ao lado (cidade que já teve direito a post por estes lados) e é um óptimo combo tornado possível pela Ryanair que voa directo de Lisboa a preços amigos (fora de datas como dias muito próximos do Natal, Páscoa ou qualquer outra altura em que expats rumam a casa e/ou locais procuram um lugar ao sol).
Antes de mais, deixem-me elogiar o sistema de transportes. O tram liga o aeroporto ao centro da cidade (número 6, não há nada que enganar, é o único que pára mesmo em frente ao terminal e o aeroporto é a primeira paragem - ou a última, conforme a perspectiva). O centro é bastante compacto e a melhor forma de ver tudo é mesmo a pé. Os bilhetes podem ser comprados a bordo, a máquina tem instruções em alemão, turco, inglês e francês mas atenção que só aceita notas até 10 euros. Existem outros cartões pre-pagos mas têm de ser comprados nos escritórios da companhia dos transportes ou no balcão de informações do aeroporto (o meu sítio preferido porque em caso de dúvida é possível falar inglês *evil laugh*).
Como qualquer cidade alemã que se preze, Bremen tem uma praça principal que nos diz logo que chegámos ao centro da Europa (paragem 'Domsheide').
O Roland está de frente para a catedral e tem lugar de destaque no centro da praça - reza a lenda que enquanto ali permanecer a cidade será livre.
Logo ao lado, estão os famosos músicos de Bremen (se não os encontrarem, não se preocupem, eles estão logo por trás da fila de pessoas que está a tentar tirar uma fotografia). Dizem que dá boa sorte agarrar as patas do burro com as duas mãos (e não só com uma!) mas agora que penso nisso não sei se o cheguei a fazer...
Saindo da praça principal temos a Böttcherstraße com uma entrada muito peculiar:
A rua é hoje um importante centro comercial e cultural de Bremen e é aí que podem encontrar a famosa loja de doces da cidade. Podem assistir ao fabrico dos rebuçados (que são óptimos!) e comprar frascos de vários tamanhos com diferentes combinações de sabores e muitas vezes alusivas à época do ano (obviamente que eu comprei a colecção de Natal).
A não perder também os sinos da Haus des Glockenspiels com figuras de pilotos e marinheiros. Infelizmente as minhas fotografias não mostram grande coisas mas deixo aqui o link da wikipedia que até oferece a possibilidade de os ouvir (já aqui disse como adoro o som dos sinos?).
Quando chegarem ao fim da rua, está na altura de ir em direcção ao Schnoor, a minha zona preferida de Bremen! É que o Schnoor é uma verdadeira cidade de bonecas:
É aqui que fica a casa de chá que já teve direito a post aqui no estaminé e que é só a coisa mais fofa de sempre. As senhoras não falam grande coisa de inglês (nem me lembro de haver menu em inglês) mas a visita compensa!
O Schnoor tem ainda mil e uma lojas de artesanato, cafés e restaurantes. E, surpresa das surpresas, até um sítio que vende Vista Alegre (!) embora nunca tenha visto a loja aberta em nenhuma das vezes que passeei pela zona... 
É no Schnoor que recomendo que se comprem souvenirs, desde os ímans para o frigorífico (que aqui conseguem ser menos foleiros, embora tenham que procurar bem), postais, comida da região ou uma peça mais diferente.
Ainda no Schnoor, o meu restaurante preferido é o Kleiner Olymp e recomendo o típico prato de Bremen: Bremer Knipp. Ia jurar que tinha algumas fotografias algures mas sumiram, fica só a minha palavra ahah.
Claro que há outras zonas da cidade. Schwachhausen é um bairro residencial que mostra o melhor lado de Bremen enquanto cidade onde vivem pessoas. Super acolhedor, com casas giríssimas e excelentes pastelarias e lojas de gelados (prioridades, eheh). Depois temos aquela que é simplesmente conhecida como Viertel (sair da zona central direcção a Am Wall, só seguir a rua), a zona mais alternativa da cidade, com algumas personagens à noite mas com excelentes bares e restaurantes a fazer lembrar um bocadinho o Bairro Alto. No verão, recomendo a zona junto ao rio, obviamente com imensos sítios onde beber uma cerveja mas com vários bares e restaurantes com esplanada junto à água, é só escolher. Para um almoço em conta recomendo o Bar Celona, com pizzas a 4 ou 5 euros e uma vista privilegiada sobre o rio. Segundo os meus amigos, é também um sítio famoso pelo seu brunch de Domingo mas nunca experimentei.
E pronto, afinal não tenho assim tantas fotografias da cidade para publicar no blog. Uma pessoa passa a vida a viajar e nunca se dedica às cidades por onde vai passando, há sempre tempo "amanhã" e depois nunca acontece. Já prometi a mim mesma que isso não me pode acontecer com Oxford.

domingo, 14 de agosto de 2016

Aos domingos dá-me para filosofar

"The great moments of your life won’t necessarily be the things you do; they’ll also be the things that happen to you. Now, I’m not saying you can’t take action to affect the outcome of your life, you have to take action, and you will. But never forget that on any day, you can step out the front door and your whole life can change forever. You see, the universe has a plan kids, and that plan is always in motion. A butterfly flaps its wings, and it starts to rain. It’s a scary thought but it’s also kind of wonderful. All these little parts of the machine constantly working, making sure that you end up exactly where you’re supposed to be, exactly when you’re supposed to be there. The right place at the right time." (Ted Mosby, How I met your mother)


Moro ao fundo da mesma rua onde há quase 15 anos tive aulas de inglês com o melhor campo de férias de sempre. Eu sei que é parvo achar que há aqui alguma relação cósmica mas o Ted Mosby que há em mim não deixa de achar uma coincidência fantástica. Sobretudo porque o meu caminho até aqui foi tudo menos óbvio: estive quase para ir para Munique, Paris ou até regressar à Holanda mas depois de uma série de ses e contratempos acabou por ser Oxford a acolher-me naquele que se espera ser um interregno prolongado nesta vida de nómada. E não sei se é de me sentir verdadeiramente em casa mas apesar de ainda não ter chegado onde queria (ou será que quando lá chegar haverá outra meta atingir?) acredito mesmo que estou onde devia estar. E acho que não há outra forma de terminar este post que não seja com a música que ando a ouvir em repeat até enjoar (hmm, nunca?). Carry on, people, carry on.

Sempre em trânsito

Vou ao México em Setembro, infelizmente em trabalho e não em turismo, o que me está a dar dores de cabeça na hora de estabelecer prioridades e roteiros compatíveis com reuniões e apresentações. Na verdade, quanto mais leio o guia mais vontade tenho de agendar uma segunda viagem ao país (desta vez para um turismo decente) mas hey, isso não significa que não vá aproveitar ao máximo esta oportunidade! E como preciso de mais planos até dar por concluído o ano de 2016, já ando a magicar uma viagem em Dezembro para ir aproveitar o espírito natalício algures na Europa. Mas depois temos a próxima Páscoa. E a viagem para celebrar os 30. E uma série de planos na gaveta. Isto é uma doença, pessoas, eu sei (ou, nas palavras da minha mãe, "tu nem descansas o cérebro").

sábado, 13 de agosto de 2016

Lost in translation

Comprei este livro como presente de aniversário para um amigo (francês) que conheceu Pessoa por acaso (é só uma das muitas coisas que explica porque somos amigos, gosto muito mais de pessoas que me dizem "ah, Portugal, a terra de Pessoa e de Camões" em vez daquelas que se saem com um "Portugal? Ronaldo!"... - pronto, chamem-me snob, ahah *).


Por curiosidade fui ler alguns dos meus poemas preferidos traduzidos para inglês e... falta-me qualquer coisa. Não sei se é por ser a minha língua, se é por ser a língua em que foi escrita, mas a poesia de Pessoa soa-me melhor em português do que em inglês. Mais do que isso, sinto-a melhor, como se tivesse mais significado quando escrita na sua forma original, sem traduções. 


[Em contrapartida tenho um amigo (português), que me gozou por ir oferecer um livro do Pessoa ("quem é o pobre coitado que vai levar com o Fernandinho?" foi a bonita mensagem que recebi no Whatsapp quando lhe mostrei isto) e eu gosto dele na mesma. Até lhe perdoo ter detestado Português do 10º ao 12º e não se interessar minimamente por Pessoa ou Eça de Queiroz, that's how much I care for him.]

sábado, 6 de agosto de 2016

Aproveitar o verão em Oxford

Nada como subir ao melhor rooftop de Oxford (ou o único? cof cof) num dia glorioso de verão! O The Varsity Club fica em High Street e oferece uma vista privilegiada sobre a cidade. Apesar de ser um bar serve alguns petiscos (não se qualificam como refeições por isso chamemos-lhe "petiscos") e como não tem muitas mesas aconselho que se chegue cedo (aos fins de semana abre ao meio-dia). Não faço ideia se estão abertos durante o inverno mas juro que não me importava nada de estar ali num dia frio de sol a beber um chá e a ler um livro!
E claro, decidi que quando for grande quero uma casa com uma vista igual (na minha generosidade, nem preciso de um terraço tão grande, era só mesmo a vista... onde me inscrevo?).

domingo, 31 de julho de 2016

Parabéns, Harry

Conheci o Harry Potter quando tinha mais um ano do que a personagem e o livro tinha acabado de ser editado em português. Desde então que fiz questão de ser sempre das primeiras pessoas a comprar cada livro novo, primeiro em português e depois em inglês quando me fartei de esperar pela tradução e achei que me podia aventurar em 400 páginas numa língua que não a minha. Não me tornei doente do Harry Potter nem ando (ou andei) por aí vestida com robes de Hogwarts e gravatas Gryffindor (já um time-turner... não dizia que não!) mas confesso que sou fangirl. Acho (snobmente, é certo) que há uma hierarquia conforme se tenha lido os livros antes ou depois dos filmes e sinto aquela superioridade que os mais velhos invariavelmente sentem sobre os mais novos quando dou por mim a pensar que "no meu tempo" é que era. Mas, pessoas, o Harry Potter não é só uma personagem de um livro (ou de um filme, pronto, pff). É verdade que algures no caminho eu e as personagens deixámos de ter exactamente a mesma idade mas foram 9 anos em que partilhámos verões à beira-mar, férias da Páscoa em frente a uma taça de Chocapic (memória verídica que tenho de ler o Prisioneiro de Azkaban!) ou maratonas de leitura pela madrugada dentro para chegar mais depressa ao fim do livro ("mas tu ainda não te foste deitar, Agnes Maria?" foi a pergunta que a minha mãe me fez MUITAS vezes). E é por isso que hoje, passados 9 anos do último livro (!) dei por mim com uma alegria quase infantil (deverei ter vergonha de ter até dado um saltinho em plena rua?) quando tive a minha cópia do Harry Potter and the Cursed Child", com direito a saco especial e um papel a dizer "I collected my copy on the 31st July 2016 at Waterstones Oxford" que vou guardar religiosamente como boa fangirl que ainda sou.
Infelizmente, amanhã tenho de ir trabalhar e não vou poder ler o livro como faria noutra altura. Afinal, o Harry cresceu (e faz hoje anos!) e eu também, bah.


Pronto, ide, este blog regressa à sua programação habitual dentro de momentos.